sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Boas festas!


Desejo a todos meus amigos e leitores, um natal tranquilo, farto, com alegria em família e muita saúde. Que Papai Noel traga o tão esperado presente e que quem lhe tirou no amigo secreto não invente de lhe dar aquele dominó de R$ 1,99 ou aquela Blusa totalmente fora da estação, que ainda por cima é duas vezes o seu tamanho.



feliz natal a todos!


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segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

O marketing educacional sem virtudes

Qualquer estudante de marketing e propaganda sabe como pode ser apaixonante e até viciante sua área de atuação, mas como em qualquer outro campo de trabalho, vez por outra vemos situações onde há o uso de artifícios que beiram a falta de ética e os fins justificam os meios, deixando profissionais de estômagos mais sensíveis assustados com a inexistência de limites.
No início deste mês, tivemos o processo seletivo seriado para a Universidade Federal de Sergipe – UFS, o tão temido vestibular. Muitos adolescentes e pouquíssimos adultos ansiosos movimentaram por 4 dias as “pardalizadas” avenidas da cidade para ingressar na única universidade pública de nosso estado. São jovens que há anos vem se preparando para uma bateria de testes e que tornam o negócio da educação em nosso estado um verdadeiro filão. Este momento acaba sendo desvirtuado pelas escolas e usado exclusivamente como oportunidade para marketing de fim de ano.
É muito difícil conseguir, nos meses de Novembro a Janeiro, vagas para veiculação em bons pontos de outdoors, por exemplo, em função da demanda de escolas e faculdades para o fim de ano, época de matrícula nestes estabelecimentos. Busdoor, rádio, TV e muitas outras mídias existentes são alocadas como recurso para que a “indústria do conhecimento” aproveite o momento e faça caixa para honrar compromissos, além de garantir os investimentos de início de ano letivo.
Mas até onde a escola/empresa que vive de algo tão nobre como a educação deve ir?
Escolas oferecendo 200, 300 bolsas para excedentes no curso de medicina, carro zero sendo exposto e sorteado entre os primeiros colocados, café da manhã nordestino sendo oferecido a pais e alunos às portas do local de prova, massagistas profissionais à disposição dos alunos mais tensos, professores sendo “convocados” a desejar boa prova para seus alunos e imensas barracas de lona sendo montadas no campus universitário para expor tudo isto, fazendo alusão ao verdadeiro circo que se tornou o ingresso destes jovens na universidade. Candidatos que vem de outros estados ficam assustados e não escondem o espanto com tamanha panacéia, que segundo eles mesmos só acontece aqui. Um verdadeiro desfile de egos e uma batalha velada entre escolas que disputam para mostrar quem pode mais, quem prepara mais, quem aprova mais, como se resumissem a formação do indivíduo, do cidadão, do estudante em sua aprovação no vestibular. Isto está errado! A escola seria (salvo engano) uma instituição que deveria instruir, educar, ensinar valores, que não pode assumir uma postura demagógica ao ensinar a criança a ajudar o coleguinha de classe enquanto faz de tudo para acabar com a escola do mesmo bairro, chegando a ligar para os melhores alunos da concorrente e oferecer bolsas integrais já pensando em resultados nos vestibulares futuros. Se uma escola põe faixas nas ruas hoje, todas as outras escolas se vêem obrigadas a fazer o mesmo, tomados por um estúpido pensamento que mais lembra a guerra fria e sua corrida armamentista. O estudantes, que em tese deveriam estar tão tranqüilos quanto preparados, são bombardeados de cobranças e sofrem conformados com uma situação que a família diagnostica como pressão normal de vestibulando. Não há nada de normal nisso. Uma simples transição acadêmica se transforma em uma verdadeira tortura para cabeças ainda jovens e em formação.
Todas estas ações têm o “marketing” sendo usado muito mais como desculpa que como preceito de sucesso empresarial. Os resultados saltam aos olhos quando vemos o crescimento de alguma destas escolas a um custo social muito alto, uma vez que nossos jovens são castigados para que elas possam por mais faixas na rua.

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