terça-feira, 13 de maio de 2008

Efeito Borboleta


Efeito borboleta é um termo que se refere às condições iniciais dentro da teoria do caos. Este efeito foi analisado pela primeira vez em 1963 por Edward Lorenz . Ela atesta que o bater de asas de uma borboleta pode provocar um furacão do outro lado do mundo. É uma maneira de dizer que pequenos acontecimentos podem ter grandes conseqüências. Esta definição se encaixa perfeitamente ao caso do mosquito da dengue e a atual epidemia em alguns estados brasileiros.
É impossível não se pegar pensando “Como pode um inseto tão pequeno causar enfermidade e até a morte de pessoas infinitamente maiores que ele?” Explicações genéticas à parte, o fato é que aprendemos a conviver com os surtos e epidemias e nem sempre nos damos conta de como eles acabam mexendo com nossas vidas.
Os órgãos de saúde federais, estaduais e em especial os municipais, uma vez que estamos em ano eleitoral, não tardam em anunciar medidas para sanar o problema ou ir à TV mostrar como estão preocupados e trabalhando incansavelmente. Tentam promover-se com as soluções encontradas e medidas que não deveriam sequer ser necessárias, pois a prevenção não deveria se dar apenas em épocas de surto.
Isto sem contar nos efeitos de mercado; Protetores se esgotam das prateleiras e o aumento da demanda causa elevação de preços e escassez de produtos. Os laboratórios e farmácias lucram horrores e nos deixam na dúvida se não seriam eles a sujar à noite os terrenos baldios que limpamos durante o dia. É mais que óbvio que exageros à parte, existem setores que lucram com as epidemias. Os supermercados nunca venderam tantos inseticidas ou velas repelentes. As Lojas de plantas estão vendendo mudas que até então eram desconhecidas de boa parte da população como a citronela, por exemplo. Um simples remédio para dor de cabeça tem alta de até 300% em tempos de epidemia. As empresas têm prejuízos com funcionários doentes e os hospitais ficam lotados, com pessoas que muitas vezes não conseguem atendimento. Com medo de não serem atendidos caso necessitem, muitos fazem planos de saúde às pressas e torcem para os hospitais conveniados não negarem atendimento por falta de leitos. Um novo Hospital em Aracaju até aproveitou para se promover e lançou uma ala especial para doentes com dengue antes mesmo de sua inauguração. Uma ótima oportunidade de aliar a nova marca à responsabilidade social.
Mas uma coisa me intriga; Se todos os anos há a possibilidade de surtos em virtude do período de chuvas, por que esperamos acontecer para falar a respeito ou tomar providências? Remediar parece ser mais fácil que prevenir e subestimar potenciais crises na saúde ou qualquer outra área permanece uma mania nata aos brasileiros. Temos a versão tupiniquim da teoria do efeito borboleta; “o efeito mosquito”.

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