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domingo, 7 de dezembro de 2008

Mimos de fim de ano



Uma tendência natural de mercado é que as pequenas e médias empresas, embora com um quadro mais enxuto de funcionários e colaboradores, também tenham um planejamento estratégico e neste, um planejamento de marketing que prevê ações de fim de ano. Para tanto, uma determinada verba deve ser assegurada, que pode variar de acordo com a situação da empresa e/ou do mercado. Seria uma perda de oportunidade não perceber o aquecimento desta época do ano em função do capital despejado no mercado pelo décimo terceiro salário dos milhões de assalariados brasileiros, por exemplo, e o aquecimento econômico provocado pelas festas de fim de ano.
A grande vantagem de ser uma empresa pequena ou média e a maior capacidade de promover o marketing “one to one”. O que determina o tamanho de uma empresa de seguros, por exemplo, é a quantidade de segurados em sua carteira de clientes bem como a receita obtida com seu portfólio de produtos. Uma pequena e média empresa, se dotada de um sistema de informação funcional e otimizado, tem como avaliar melhor sua carteira de clientes, saber quais são os segmentos e produtos mais lucrativos e tratar de individualizar seus serviços e atendimento. Seja qual for a ação adotada em fim de ano, esta deve seguir pela individualização de serviços. A atenção personalizada deve ser o foco de toda e qualquer ação de fim de ano, uma época que denota festas em família e amigos, o brinde ou lembrança deve chagar ao cliente para que este se sinta lembrado de forma individualizada.

Sem dúvida seu custo por mil é reduzidíssimo, mas muito mais útil em promoções e contatos de caráter informativo. Pode ser usado desde que não passe a idéia que o cliente é apenas mais um a receber determinada mensagem. Quando um amigo nos manda um e-mail, por exemplo, sabemos que este pode ter sido enviado a diversas pessoas, mas ao recebermos uma carta, pelo correio, escrita a mão, sentimos que por alguns instantes aquele amigo reservou seu tempo, que hoje em dia é importante para todos, pensando em nos passar algo. Nos sentimos importantes, valorizados, e é isto que o cliente de hoje, cada vez mais exigente, deseja e até paga mais caro para obter.
Ainda na área de seguros, algumas empresas estão sorteando entre seus clientes mais fiéis viagens de férias para duas ou três pessoas. Embora o custo pareça elevado, é muito fácil conseguir parcerias com agências de viagens, que normalmente são clientes e ajudam a vender seguros de viagem (saúde etc...). Uma boa opção é utilizar stands em locais que aumentam sua circulação em épocas de fim de ano, como shopping centers e galerias.
O calendário é útil a todos, mas com o advento do celular, a convergência, a popularização do notebook e palm top, o segredo passou a ser a criatividade. Um calendário que se esconde em uma caneta de forma retrátil, chama mais a atenção que uma peça que ocupa espaço em uma mesa, onde já se precisa de espaço para o PC, celular, chaves do carro e papéis do dia-a-dia. Não importa mais “o quê”, mas “o como”.
Como disse, é necessário conhecer o cliente. Seus hábitos necessidades e desejos. Aí entra a vantagem de uma pequena ou média empresa e de um sistema de informação com um data base útil e funcional.
A primeira coisa é a impressão causada no cliente. Ele tem que gostar de ter recebido o brinde. A utilidade também é importante, pois um item que carrega minha marca ou imagem e é usado constantemente se torna uma ação de branding muito efetiva. Procure ser diferente. Existem publicações especializadas neste segmento com catálogos riquíssimos e que oferecem opções com preços acessíveis e gostos diversos.
Deve-se ter cuidado para não “perder o tempo da bola”. Leve em consideração possíveis atrasos de fornecedores e na distribuição. Em média uma semana de antecedência a uma data importante como o natal, por exemplo, surte o efeito desejado.
Os brindes de fim de ano são uma boa oportunidade de agradar o cliente numa época em que muitas empresas com as quais este mantêm relações o faz, mas o cliente deve ser lembrado o ano todo e não apenas em fim de ano. Aniversários, dia do médico ou advogado, dia dos pais etc, são mais que uma data comemorativa, são oportunidades de fidelizar os clientes e fazer destes clientes apóstolos, que fazem um marketing boca-a-boca efetivo a seu favor, o mais barato do mundo.
Lembrem que o corretor de seguros não é apenas um vendedor, mas, um facilitador da vida do cliente. Mais importante que vender um seguro é garantir a qualidade de serviços quando necessários. Passar confiança e acessibilidade é muito importante e lembrar o cliente que pode contar com ele para a solução de um problema, renovação de um contrato ou apenas o recebimento de um simples cartão de natal, são ações igualmente importantes. A dica é uma só, ninguém se chateia por ser agradado em demasia.




terça-feira, 13 de maio de 2008

Efeito Borboleta


Efeito borboleta é um termo que se refere às condições iniciais dentro da teoria do caos. Este efeito foi analisado pela primeira vez em 1963 por Edward Lorenz . Ela atesta que o bater de asas de uma borboleta pode provocar um furacão do outro lado do mundo. É uma maneira de dizer que pequenos acontecimentos podem ter grandes conseqüências. Esta definição se encaixa perfeitamente ao caso do mosquito da dengue e a atual epidemia em alguns estados brasileiros.
É impossível não se pegar pensando “Como pode um inseto tão pequeno causar enfermidade e até a morte de pessoas infinitamente maiores que ele?” Explicações genéticas à parte, o fato é que aprendemos a conviver com os surtos e epidemias e nem sempre nos damos conta de como eles acabam mexendo com nossas vidas.
Os órgãos de saúde federais, estaduais e em especial os municipais, uma vez que estamos em ano eleitoral, não tardam em anunciar medidas para sanar o problema ou ir à TV mostrar como estão preocupados e trabalhando incansavelmente. Tentam promover-se com as soluções encontradas e medidas que não deveriam sequer ser necessárias, pois a prevenção não deveria se dar apenas em épocas de surto.
Isto sem contar nos efeitos de mercado; Protetores se esgotam das prateleiras e o aumento da demanda causa elevação de preços e escassez de produtos. Os laboratórios e farmácias lucram horrores e nos deixam na dúvida se não seriam eles a sujar à noite os terrenos baldios que limpamos durante o dia. É mais que óbvio que exageros à parte, existem setores que lucram com as epidemias. Os supermercados nunca venderam tantos inseticidas ou velas repelentes. As Lojas de plantas estão vendendo mudas que até então eram desconhecidas de boa parte da população como a citronela, por exemplo. Um simples remédio para dor de cabeça tem alta de até 300% em tempos de epidemia. As empresas têm prejuízos com funcionários doentes e os hospitais ficam lotados, com pessoas que muitas vezes não conseguem atendimento. Com medo de não serem atendidos caso necessitem, muitos fazem planos de saúde às pressas e torcem para os hospitais conveniados não negarem atendimento por falta de leitos. Um novo Hospital em Aracaju até aproveitou para se promover e lançou uma ala especial para doentes com dengue antes mesmo de sua inauguração. Uma ótima oportunidade de aliar a nova marca à responsabilidade social.
Mas uma coisa me intriga; Se todos os anos há a possibilidade de surtos em virtude do período de chuvas, por que esperamos acontecer para falar a respeito ou tomar providências? Remediar parece ser mais fácil que prevenir e subestimar potenciais crises na saúde ou qualquer outra área permanece uma mania nata aos brasileiros. Temos a versão tupiniquim da teoria do efeito borboleta; “o efeito mosquito”.

terça-feira, 8 de abril de 2008

O marketing de relacionamento e a orientação para o cliente.

No passado, as empresas já foram orientadas para a produção e para vendas. No fim da década de 40, período crucial na indústria onde produzir muito garantiria a vitória aliada na segunda guerra mundial, tinha-se o setor de produção como o mais importante. Já a imagem do consumidor desconfiado e o jargão “papo de vendedor” que vez por outra denota um cunho pejorativo num argumento de vendas, é herança do “vender a qualquer custo” que perdurou na década de 50, quando o boom de produção do pós-guerra na sociedade capitalista ditava as regras. Mas o dinamismo do mundo e da economia, bem como a tendência globalizadora das relações comerciais fez com que as empresas repensassem sua forma de atuação mercadológica. Nos dias de hoje, as empresas que não têm sua orientação para o cliente estão fadadas ao fracasso.
Clientes satisfeitos geram fluxo de caixa contínuo, sendo necessária uma comunicação diferenciada e ações de fidelização. Alguns setores como o de supermercados enfrentam problemas para adotá-lo de forma efetiva, pois dificilmente conseguem fazer uso de data-mining, competindo quase que exclusivamente na política de preços, mais atrativa em nossa atual situação sócio-econômica. Conseguem no máximo, segundo pesquisas, uma ampliação de clientes novos e de mercado, mas sem gerar fidelização. Talvez não levem tão a sério a fidelização de clientes por concorrerem em um setor essencial, pois, qual família não vai a um supermercado para abastecer-se semanalmente? Seria tão simples levantar dados sobre os hábitos de consumo de seus clientes. Com certeza um cliente que tem o hábito de consumir vinhos regularmente adoraria ser informado de promoções de vinhos por mala direta, por exemplo.
O Marketing de relacionamento ou CRM (custumer relationship development) é mais que uma técnica ou recurso. É uma filosofia organizacional que envolve toda a empresa e seus stakeholders. Os programas de fidelização como programa especial de reconhecimento de clientes, cartões próprios da empresa, clube de clientes, programa de marketing de assiduidade e programa VIP para os clientes mais importantes de nada valem sem um endomarketing efetivo. É preciso que toda a empresa e seus colaboradores ou clientes internos estejam envolvidos num contexto onde o cliente é o centro das atenções e os demais setores da empresa orbitam ao seu redor. Isso vem sendo posto em prática no mercado securitário com excelentes resultados por empresas como Banco Itaú, Banco Real e Porto Seguro Seguros.
A fidelização é muitas vezes motivação para ações de branding. A identificação e diferenciação ou a garantia do oferecimento de produtos uniformes são objetivos de muitas empresas que buscam fortalecer sua marca como uma estratégia de marketing. Isto fica bem visível no mercado de produtos de alto luxo, onde o valor percebido pelo consumidor se deve em grande parte à marca do produto ou serviço. Empresas como a Oi, um grande player da telefonia celular, utilizaram esta estratégia com maestria. O mote “não tenha um celular, tenha um Oi” foi uma clara utilização da marca para vender um produto e serviço. A Oi também fez uso de vantagens até então nunca oferecidos aos clientes e que desencadearam uma série de mudanças no modo como o serviço de telefonia móvel era vendido e a forma das operadoras se relacionarem com os clientes. Planos mais vantajosos, aparelhos mais modernos e de design arrojado e serviços diferenciados garantiram a Oi um marketing share considerável em um mercado acirrado onde apenas dois players disputavam os clientes.
O uso da informação é outro fator relevante para a criação de um CRM efetivo. A utilização da Tecnologia da informação (TI) e da “business intelligence”, a integração de dados sobre o cliente e a criação de um “data warehouse” são fundamentais para as empresas que querem se tornar competitivas. É algo que está disponível para todas as empresas, tornando-se, portanto um diferencial de vida curta, mas a redução do tempo entre a coleta de dados, sua análise e utilização estratégica é o verdadeiro desafio para as empresas. A informação é um importante capital, comparando-se aos recursos de produção, materiais e financeiros e como tal deve ser levado a sério. É claro que existem vários níveis de informação e diversos graus de importância de uma mesma informação para esta ou aquela empresa, mas é sua gestão que define os esforços desprendidos para sua captação, bem como sua utilização, evitando desperdício de tempo e recursos com dados inúteis ou o não aproveitamento de informações vitais para o negócio.
O Marketing de relacionamento é, portanto, a orientação para o cliente e para o lucro. Já recebeu o conceito de Marketing 1to1 (one to one), uma clara referência a segmentação e à prática de tratar cada cliente como diferenciado e único. Não é mais uma tendência, mas um mandamento da gestão moderna e focada em resultados tanto qualitativos quanto quantitativos que norteia as ações de marketing e estratégias de gestão. Ouvir, entender, conhecer, cuidar e zelar pelo cliente e seus interesses pode não apenas melhorar a rentabilidade de um negócio, mas garantir sua sobrevivência.


terça-feira, 22 de janeiro de 2008

MARKETING SENSORIAL


A exploração dos 5 sentidos no marketing não é uma novidade, mas o estudo de seus efeitos é recente. Quando introduzido corretamente em uma empresa, o marketing sensorial vem a contribuir satisfatoriamente para toda e qualquer atividade. O seu uso sem exageros ou imposição é altamente recomendado pelo marketing moderno num mercado cada vez mais dinâmico e competitivo.
A visão é talvez o sentido preferido dos profissionais do marketing. Estudos sobre cores e suas influências definem logomarcas, pois podem orientar para acalmar o cliente, agitá-lo, ou até mesmo despertar-lhe fome. O design dos produtos segue cada vez mais o efeito que este causa no consumidor, passando de mero detalhe a fator primordial digno de premiações. Pesquisas mostram que nossa memória visual é muito melhor que a auditiva ou olfativa, por exemplo, daí o fato de termos que ouvir uma música ou sentir um cheiro várias vezes para nos lembrarmos destes, enquanto uma cena vista uma única vez pode nos marcar para sempre.
A exploração do olfato é muito utilizada em lojas de artigos esportivos, indústria da moda e automotiva. Quem não adora cheiro de carro novo? Existem estudos que definem fragrâncias que estimulam a compra para artigos de prática de esportes ao ar livre. Clínicas e hospitais têm cheiro definido pelas essências que trazem impressão de limpeza. Aromas que nos fazem sentir em casa como café ou canela, por exemplo, podem aumentar tempo de permanência numa loja. O dizer “Aromatizado artificialmente” é freqüente em uma infinidade de produtos e é claro, influenciam nossa decisão de compra.
Os sons podem ser notados em supermercados, onde músicas calmas e relaxantes são utilizadas em dias com pouco movimento, para maximizar o tempo de permanência dos clientes nas lojas, enquanto que músicas mais agitadas ditam o ritmo em dias de muito movimento para garantir a diminuição de filas e a espera. A fixação de jingles e músicas de campanhas também é bastante explorada. Quem não lembra o slogan “pediu Brahma pediu bem” cantado à exaustão?
O paladar também é muito estimulado, sobretudo nos pontos de venda. O merchandising com degustação é freqüente e imensamente eficaz na introdução de novos produtos no mercado. Mas engana-se quem atribui apenas à provação o uso deste sentido. Ao oferecer balas ou chocolates aos seus clientes, as companhias aéreas fazem um mimo ao cliente, melhorando sua reação física ao vôo, fazendo-o mastigar antes e durante a decolagem, melhorando o desconforto causado pela diferença de pressão. Acabam por fim elevando uma sensação gostosa do paladar a um sentimento de conforto que não encontraria em outra companhia.
O tato prova-se útil não apenas no design de produtos que facilita seu manuseio, mas até ao passar confiança aos clientes. Segundo Solomon (2002), durante um estudo foi constatado que em um restaurante, quando os clientes eram tocados pelos garçons, davam gorjetas maiores. Em supermercados, os demonstradores quando tocavam de leve os clientes, tinham mais sucesso em convencê-lo a experimentar um novo produto e fazê-los comprar.
Aspectos culturais devem ser valorizados, pois tocar o cliente no Japão pode ser tão desastroso quanto o sabor carne em um Miojo na Índia. Com os devidos cuidados, o Marketing sensorial é uma ferramenta barata e bastante eficaz na prospecção de novos clientes e na fidelização de clientes já conquistados.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Viva! É fim de ano!

Com a chegada das festas de fim de ano, todas as empresas ficam de olho no aquecimento da economia causado pelo aumento de consumo. É época de saldar dívidas, comprar aquilo que foi cobiçado o ano inteiro e quem sabe, fazer novas dívidas.Como já escrevi antes, o brasileiro em geral não sabe comprar e é muito emocional em suas atitudes. O marketing sabe disso e faz uso de todas as armas para atrair a atenção do consumidor.
A decisão de utilizar um piso escorregadio nos shopping centers, por exemplo, é em parte devido a decisões tomadas pelo departamento de marketing. Estética a parte, a grande maioria das pessoas que circula por lá é composta por mulheres, que por sua vez utilizam saltos, sendo assim obrigadas a andar devagar para não escorregar. Logo, passam mais tempo em frente a vitrines e compram mais. Os displays também utilizam a decoração de fim de ano com temas natalinos e de ano novo, o que incita o consumo de presentes, roupas novas e “lembrancinhas” explorando a sensibilidade do consumidor brasileiro.
A TV, outdoors, revistas e todas as formas de mídia e no mídia são inundados com anúncios que visam abocanhar o tão aguardado décimo terceiro salário, que é o maior responsável por este aquecimento. Este é na verdade uma forma de fazer o dinheiro circular, pois o capital sai das empresas para o assalariado, maior classe consumidora no país e volta para as mãos de outras empresas que produzem bens e serviços que este consome. O mercado imobiliário e o setor de construção comemoram altas vendas com o desejo de melhoria de vida e reformas de imóveis. O setor de turismo é beneficiado com a chegada do verão e o aumento do fluxo de turistas. É nesta hora que se destacam algumas agências de marketing no quesito criatividade. Compor o mix de marketing preocupando-se apenas com os 4Ps (produto, preço, praça e promoção) ainda é o mais comum, mas alguns inovam e aproveitam a alta circulação de consumidores nos pontos de venda para aumentar o poder da marca (branding). É uma ótima época para merchandising (como degustação no ponto de venda, por exemplo).
Para os profissionais da área, é uma boa oportunidade de monitorar o mercado e aprender o que funciona ou não. Porém, uma coisa deve ser levada em consideração; O aumento de circulação de capital no mercado é apenas um dos fatores a serem considerados. As variáveis culturais, sociais, econômicas e humanas devem ser levadas em conta e cada fim de ano pode ser completamente diferente do outro. Uma campanha pode não funcionar hoje, mas ser um enorme sucesso alguns anos depois. É por isso que não recomendamos em nossa agência que o planejamento de marketing seja inflexível no que diz respeito a sua execução ou que tenha um cronograma muito extenso. Preferimos lidar com ações planejadas pra curto e médio prazo. Quanto mais longo o planejamento, mais flexível este deve ser. Ajustes são inevitáveis e até salutares, porque o dinamismo do mundo de hoje não deixa o marketing a margem de mudanças.
De qualquer forma, as ações adotadas visando exclusivamente este consumidor mais capitalizado no fim de ano devem ser tratadas como eventuais ou sazonais e constar no planejamento de marketing e comunicação como apenas uma parte do todo. Lembremos que a empresa está aberta o ano inteiro e não seria nenhuma demonstração de saúde financeira depender desta época do ano para sua sobrevivência. Potencializar receita sim, mas tapar buraco nunca, sob pena da empresa não conhecer muitas primaveras.


terça-feira, 2 de outubro de 2007

O futuro da propaganda.

Até alguns séculos atrás a única forma de publicidade e propaganda de um produto ou serviço era o boca-a-boca. Dependíamos de indicações e da busca de novos clientes através de visitas que raramente eram feitas, pois o dono estava sempre tocando o negócio e força de vendas era algo que simplesmente não existia. A única propaganda consistia numa placa sobre a porta, fora da lojinha, ou o letreiro amadoramente pintado com as próprias mãos onde se lia “ferreiro” ou “costureira”.
Com a constatação de que existia a necessidade de publicidade e propaganda e a evolução das mesmas, surgiram formas de divulgar serviços e produtos. Cartazes, carros de som, merchandising, panfletos, placas, jornais, revistas, rádio, TV, outdoors, busdoors, folders, banners... e mais recentemente a internet. É claro que tudo isto está exemplificado de uma forma muito resumida, cronologicamente falando. Onde quer que olhemos somos bombardeados com informações que guiam nosso comportamento e a não ser que vivamos em uma aldeia totalmente isolada da civilização, somos influenciados por apelos de marcas que norteiam nossas prioridades enquanto seres consumidores.
Fica difícil prever onde vai parar a criatividade dos publicitários. Numa civilização que dobra seu conhecimento a cada 10 anos, a propaganda está em situação concomitante com os avanços na área de tecnologia e telecomunicações. A convergência de meios, como é o caso do aparelho celular, também promove uma corrida de criação de novas formas de atingir o consumidor mais diretamente. Este anda hoje com um meio ambulante de anúncios no bolso, que além de fazer chamadas telefônicas também é um organizador pessoal, tocador de MP3, câmera fotográfica e micro computador, podendo ser influenciado ao ligar o aparato ou consultar o saldo bancário. No elevador ele assiste a comerciais de escritórios de advocacia através de um minúsculo monitor de LCD, enquanto transita entre os andares de um prédio comercial. Assiste a jogos de futebol e vê anúncios que só existem pra os telespectadores, pois são gerados digitalmente. Quando loca um DVD e este é entregue em casa, o disco vem numa caixa de pizza e além de promover o prazer de um bom filme acaba dando uma fome... Isto sem falar nas ligações de operadores de telemarketing que possuem bola de cristal de última geração e conseguem seu número pessoal, lhe chamando pelo primeiro nome. Devido a esta diversidade ganhou importância um setor em agências de propaganda chamado de “Mídia”. O Mídia é responsável pelo contato com os diversos meios de comunicação bem como pela análise das necessidades do cliente e defesa de seus interesses frente a esses meios. É um setor sempre antenado com o mercado, suas novidades e é de fundamental importância em qualquer campanha.
O fato é que os meios mudam, se tornam mais efetivos, estimulam o consumo e transformam a sociedade. Por isso a propaganda é algo tão viciante para os estudantes e profissionais da área. Porque além de ser tão dinâmica, é cheia do novo, da transformação e criatividade, adquirindo para nós um status de arte. A propaganda vai ter sempre a inovação como aliada, pois sabe que o consumidor admira esta característica. Talvez até para inovar a expressão boca-a-boca ganhando novos nomes como “buzz marketing”.
Pode-se assim, ter certeza que os meios de propaganda de 10 anos atrás mudaram bastante. A maior característica desta “arte” é que ela já nos surpreende hoje, no presente, deixando a incerteza do que nos reserva o futuro...
Quanto à pergunta título do artigo, é muito fácil de responder;
Vai parar na cabeça do consumidor.

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

A dependência de um país independente.

Me considero um patriota além copa, que se importa com o país ao ponto de me engajar social e politicamente e o simples fato de promover discussões já é uma das maneiras de fazê-lo.
Neste 07 de Setembro nosso país assiste à paradas que celebram a nossa independência. Marca a data em que esta foi declarada às margens do Ipiranga, quando nosso país ainda permanecia como colônia de Portugal. O grito de “Independência ou morte!” fora dado por D. Pedro I, então imperador do Brasil (após uma forte dor de barriga e visita à moita mais próxima, segundo historiadores).
Ao pensar no que isto representa em nossa história, não pude deixar de lembrar que:
1- Dependemos de investimentos externos.
2- Dependemos de petróleo importado.
3- Dependemos de boa vontade do FMI para rolamentos de dívidas.
4- Nosso povo depende de bolsa escola, vale gás, fome zero, bolsa família e muitos outros programas assistencialistas.
5- Dependemos de um sistema de saúde falido.
6- Dependemos de uma previdência que está fadada ao colapso.
7- Dependemos de uma segurança pública ineficiente.
8- Dependemos de leis fiscais, penais, civis e trabalhistas atrasadas.
9- Dependemos de um legislativo e executivo (grande parte deste) corruptos.
10- Dependemos de um sistema financeiro leonino, com os juros mais altos do mundo.
Ou seja, esta independência, se é que aconteceu, nada mais foi que um erro histórico. Faz-me perguntar se não teria sido melhor que a Holanda tivesse expandido as colônias que havia instalado no Nordeste e enxotado os portugueses. Nada contra os patrícios, mas quem sabe hoje não tivéssemos um índice de analfabetismo muito pequeno e fôssemos capazes de falar três idiomas, ensinados em escola pública!
Do grito às margens do Rio que nos forneceu duas opções (independência ou morte), a que vemos é a “morte” por desnutrição, falta de assistência social, descaso, violência... Talvez o nosso imperador devesse ter gritado; “Independência ou social, progresso, compromisso, honestidade, avanço, sei lá...” qualquer coisa boa pra variar. Aposto que nenhum brasileiro está satisfeito com a opção oferecida...
Mas ainda assim tenho muito orgulho de meu povo (embora seja péssimo em fazer escolhas e um tanto passivo), nossas terras, paisagens e tantas maravilhas. Como bom brasileiro, não desisto nunca! Pelo menos de ter esperança.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Recall

O termo surgiu na década de 80 e significa “chamar de volta”. Executivos da indústria automobilística fizeram as contas e viram que era mais vantajoso assumir um erro de fabricação ou projeto que arcar com despesas oriundas de processos e indenizações. Mas a moda pegou mesmo na década de 90, quando a indústria percebeu os efeitos benéficos na confiança do consumidor e na fidelização à marca. A prática se tornou cada vez mais comum num mundo em que a dinamização e a concorrência aberta tornaram o tempo gasto com projetos cada vez menores. Criou-se o pensamento “se der problema depois a gente chama de volta...”. Só não é possível reparar as vidas perdidas como no caso do Fokker 100 da Tam em 1996 e seu perverso reverso. Evitarei falar deste novo acidente em Congonhas, pois até agora não há consenso.
O código de defesa do consumidor, embora não utilize o termo, prevê a responsabilidade do fabricante para que seja realizado o “recall” e conserto ou substituição do produto assim que detectado o defeito. Este passou a ser praticado nos mais diversos setores; notebooks e suas baterias explosivas, automóveis e seus pneus bomba ou cintos sem segurança, eletroeletrônicos que são armas de choque e no caso mais recente e de dimensões globais; brinquedos.
A Mattel é a maior fabricante de brinquedos do mundo. Fabrica a boneca Barbie, um fenômeno mundial cinquentão, a bonecas Polly pocket e o Batman. Depois de um duro golpe com um mega recall em função de tinta tóxica em seus brinquedos que chegou a causar o suicídio de um revendedor e prejuízos de mais de 30 milhões de dólares, chega a vez de brinquedos com ímãs, utilizados para unir pequenas peças. Estamos falando de quase 22 milhões de produtos “chamados de volta”, o que representará custos de R$ 51 milhões apenas no Brasil. Todo o setor fica apavorado as vésperas do dia das crianças, pondo em cheque um gigante do segmento, o que nos traz a dúvida do estrago que o fato causará a empresa.
Numa época em que a responsabilidade social é uma premissa aos olhos do consumidor, a Mattel tratou de assumir a falha e colocar-se a disposição do consumidor por site, linhas telefônicas exclusivas para o recall e e-mail, tudo para garantir o menor estrago possível à imagem da empresa. Embora tenha uma receita bilionária e os números impressionem economicamente a empresa não deve ser tão abalada em seu balanço anual, mas a quebra de confiança num setor que lida com preciosidades como crianças pode ser fatal. Podemos estar falando de um verdadeiro meteoro que ao cair atinge apenas uma área, mas os anos de poeira suspensa que se seguem terminam por extinguir dinossauros.
De qualquer forma, o que vier a seguir deverá ser uma verdadeira aula de marketing. O desafio é enorme. É esperar pra ver.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Todo dia é dia.

No segundo Domingo do mês de Agosto, todos os anos, comemoramos o dia dos pais. Homenagem mais que merecida a todos os pais que se importam com seus filhos. É claro que nem todos os pais são exemplos de carinho e atenção, mas a palavra em si, já merece reconhecimento pelo simples fato de ser em parte responsável pelo melhor dos presentes; a vida.
Deixando de lado o sentimentalismo natural desta data, como muitas outras datas comemorativas, esta também foi criada para aquecer o comércio. Você já observou como temos diversas datas comemorativas estrategicamente espalhadas ao longo do ano? Páscoa, Dia das mães, dia dos namorados, dia dos pais, dia das crianças e por aí vai...sempre nos levando à compras de diversos produtos e serviços; O consumo de peixes aumenta consideravelmente na páscoa, nenhuma mãe quer cozinhar em seu dia, os brinquedos triplicam suas vendas em Outubro e os restaurantes e motéis têm fila no dia dos namorados.
Engana-se quem pensa que apenas as lojas de produtos masculinos saem ganhando em Agosto. Dia dos pais é dia de reunir a família para um almoço, aumentando assim a despesa semanal com o supermercado, ou comer fora, prestigiando este ou aquele restaurante. E o fato do segundo Domingo do mês ser o escolhido é para garantir que seja após o quinto dia útil do mês, assegurando assim dinheiro à mão. São facetas da economia que passam despercebidas devido à atenção que estas datas nos despertam. Vemos um direcionamento do marketing com promoções e campanhas mais elaboradas e que já fazem parte do planejamento de marketing anual de muitas empresas ou pelo menos deveriam fazer. O apelo sentimental é uma constante e a propaganda celebra uma ótima fase, pois os grandes anunciantes investem consideravelmente. Como o brasileiro é conhecido por seu sentimentalismo e valores de família acentuados, bem diferente do frio europeu, este aspecto do comportamento do consumidor é levado em conta e explorado à exaustão. Aliás, esta aí uma matéria que vale muito a pena passar com uma média bem alta durante o curso de marketing e propaganda, porque com certeza lhe será muito útil conhecer o consumidor e saber como ele se comporta. Não basta apenas monitorar o mercado, mas a atenção às variáveis geográficas, sociais, econômicas e tantas outras influenciando diretamente na decisão de compra do consumidor, são fundamentais para o sucesso de qualquer profissional do marketing e propaganda. Alguns comerciais nos deixam os olhos marejados lembrando-nos a todo instante que não podemos esquecer de comprar o presente de nossos pais, ou dar dinheiro para que nossos filhos comprem os nossos, enquanto ensaiamos a cara de surpresa no momento da entrega. O consumidor, sabendo disto também pode esperar a melhor hora para trocar aquele celular, comprar uma nova loção ou renovar seu guarda-roupa.
De qualquer forma, feliz fica o comércio, felizes os filhos e felizes os pais.
Feliz dia dos pais! Que venha o dia das crianças!

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Nunca na história desse país... uma ova!

Empreendedorismo. A palavra em si já diz tudo. Empreender é esforçar-se em prol de um resultado e satisfazer-se ao ver o progresso de um negócio ou projeto. Enveredar esforços e recursos com um objetivo. Isto não saiu de nenhum Aurélio, mas da cabeça de alguém que lida com a palavra todos os dias. Pelo menos é o que tentamos fazer.
Atuando na área educacional (ensino de idiomas), sinto que as dificuldades em nosso país são tantas, mesmo lidando com serviços essenciais, que o simples fato de existirem estudos mostrando que apenas 1 em cada 10 das empresas de hoje existirá daqui a dez anos já é frustrante. Não bastasse a carga tributária altíssima, uma atrasada lei trabalhista, política de incentivos deficitária e muita burocracia pra financiamentos, não é de se espantar que tenhamos uma taxa de crescimento tão baixa em tempos de economia mundial aquecida. Apenas uma pequena parte da população concentra a riqueza, mas o consumo das classes B e C é que dita o crescimento, gerando demanda, produção e emprego. É notório que o capital circulante está concentrado, mas ainda assim nominalmente falando, o volume gasto por essas classes supera em muito o da classe A. As grandes empresas já notaram essa característica e têm investido em estratégias de marketing focadas em qualidade. A idéia é a de que vale a pena pagar pela qualidade de um produto ou serviço. Fazer com que esses consumidores gastem um pouco mais não é tão difícil, uma vez que vivemos em um país que não tem a maturidade para conviver com um mercado de câmbio flutuante e juros altos, ainda que com inflação baixa. Nosso consumidor não sabe gastar. Os exigentes ainda são poucos e os descontrolados, muitos. Que o diga o Serasa.
Nunca foi tão difícil sobreviver, não pela concorrência apenas, mas pelas dificuldades que o empresariado brasileiro enfrenta no dia-a-dia. Estamos matando "um leão por dia"e ainda assim o retorno custa a vir. Sei que não existe recompensa sem sacrifício, mas o que quero dizer é que por melhor que sejam os louros colhidos, merecia-se muito mais. O trabalho dificilmente é igual ao retorno. Espera-se que com uma futura maturidade de nossa economia outros mecanismos sejam criados a exemplo do supersimples para que as pequenas e médias empresas continuem sendo os maiores geradores de emprego do país. As consequências práticas são imediatas; A queda da informalidade, aumento da arrecadação, maior geração de emprego e finalmente um aumento de consumo. É claro que a lacuna entre as classes diminuiria e todos sairiam ganhando, mas como reza a lei do marketing; "Se alguém está crescendo, também há alguém perdendo espaço". Talvez devamos esperar mudanças quando a classe correta ditar as regras, pois nunca deu certo pôr a raposa para cuidar das galinhas. Não se trata de perder em função do crescimento de outros, mas de não ter que esperar até possuir alguns bilhões na conta pra começar a pensar no coletivo.