terça-feira, 13 de julho de 2010

O frangaço

Apenas um por cento, isto mesmo, um por cento dos jogadores brasileiros de futebol recebem vencimentos superiores a R$3.000,00. Há ainda os que quase pagam para jogar. Geralmente, são pessoas que vêem de famílias humildes, de classe média baixa, onde a atenção da infância e da adolescência não ficou dividida com as obrigações acadêmicas de alguma escola particular da zona sul. Muitos deles crescem em favelas, ao lado de traficantes que na infância eram amigos inseparáveis, o que facilita a aceitação da vida de crimes por parte do ainda amigo, uma vez que estes hoje bem sucedidos jogadores entendem que seus antigos companheiros foram conduzidos ao crime, não tiveram oportunidades, e já eram seus amigos antes da fama e da fortuna, amando apenas o Adriano, mas não o imperador, por exemplo, o que os leva a enxergar apenas o Zezinho, mas não o “Zé-fuzil”

Famílias despreparadas para um mundo que não conheciam, cheio de glamour, luxo, posses, fama, dinheiro, pressões, falsidade, interesse, exposição excessiva, enfim, tudo na vida de um jogador milionário, acabam se desestruturando e bagunçando a cabeça do jogador. Quando eu digo famílias, é porque é comum dar uma casa para a mãe, a avó, e ter sobrinhos e primos como assessores acreditando estar seguro com pessoas que confiam. A partir daí surgem os problemas; Atropelamentos com mortes (Edmundo), prisão por pensão alimentícia (Romário), envolvimento com traficantes (Wagner Love e Adriano), isso sem mencionar os escândalos sexuais com travestis e casos extraconjugais. Até na Inglaterra, que inventou o esporte, vemos os escândalos, que até aqui não passaram da esfera sexual.

Do outro lado, temos as garotas deslumbradas com o luxo e dinheiro fácil que utilizam aquele que acreditam ser o único instrumento que têm de crescimento social, a beleza, (claro que ficam cegas e não enxergam outros meios), tornando-se freqüentadoras assíduas de festinhas particulares, não torcem para este ou aquele time, mas para um exame de sangue positivo e uma gravidez que garanta uma boa pensão. Nada mais são do que vítimas de uma sociedade que como disse, põe valores em segundo plano. Procuram, caçam, se oferecem, a homens que sequer notariam se as atendesse no balcão de uma loja, sem querer desmerecer a profissão de atendente, mas vamos combinar, não é nada comum vermos festas de balconistas que terminam em orgias com mulheres lindas...

É sempre bom deixar claro que trato a Eliza também como vítima, não só do assassinato, mas, daquilo que acreditava, ou era levada a acreditar. Nenhuma profissão, comportamento ou modo de vida deve servir de desculpa para o que aconteceu, embora seja comum trazer isto a tona como atenuantes em julgamentos.

Por fim, há os clubes, que preocupados com contratos milionários, esquecem-se que os pés dependem do cérebro, e a vida privada não pode mais ser totalmente desvinculada da vida fora dos gramados. Isso, por si só, já justificaria investimento em orientação psicológica e financeira, para o jogador e sua família.

O Flamengo perde um jogador que valia milhões, o futebol perde um campeão Brasileiro e o Brasil perde mais uma garota de programa, mas, esta última, temos de sobra.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Quanto tempo - pedido de desculpas


Poxa, quanto tempo que não escrevo. Sei que estou em débito com as pessoas que acompanham meu blog, e põe débito nisto; 7 meses!!!

Desta forma explico;

este semestre, o programa que apresentava na TV Caju(canal fechado de minha cidade) recebeu o convite da BAND Bahia para ser transmitido para os estados da bahia e Sergipe. A empolgação foi total, mas nem é necessário dizer que demandou muito trabalho e tempo para esta transição se tornar possível.

Acabamos de completar 3 meses na Band e os resultados são surpreedentes. Agora o trabalho é maior na prospecção de patrocinadores e batalha pela audiência, onde entra o próximo assunto sobre o qual escreverei.

muito obrigado pela espera e desculpem-me os leitores que acessaram meu blog nos últimos meses. Sei que ele estava totalmente desatualizado, coisa que planejo corrigir nos próximos dias.

um cordial abraço e um beijo no coração de todos.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Mimos de fim de ano



Uma tendência natural de mercado é que as pequenas e médias empresas, embora com um quadro mais enxuto de funcionários e colaboradores, também tenham um planejamento estratégico e neste, um planejamento de marketing que prevê ações de fim de ano. Para tanto, uma determinada verba deve ser assegurada, que pode variar de acordo com a situação da empresa e/ou do mercado. Seria uma perda de oportunidade não perceber o aquecimento desta época do ano em função do capital despejado no mercado pelo décimo terceiro salário dos milhões de assalariados brasileiros, por exemplo, e o aquecimento econômico provocado pelas festas de fim de ano.
A grande vantagem de ser uma empresa pequena ou média e a maior capacidade de promover o marketing “one to one”. O que determina o tamanho de uma empresa de seguros, por exemplo, é a quantidade de segurados em sua carteira de clientes bem como a receita obtida com seu portfólio de produtos. Uma pequena e média empresa, se dotada de um sistema de informação funcional e otimizado, tem como avaliar melhor sua carteira de clientes, saber quais são os segmentos e produtos mais lucrativos e tratar de individualizar seus serviços e atendimento. Seja qual for a ação adotada em fim de ano, esta deve seguir pela individualização de serviços. A atenção personalizada deve ser o foco de toda e qualquer ação de fim de ano, uma época que denota festas em família e amigos, o brinde ou lembrança deve chagar ao cliente para que este se sinta lembrado de forma individualizada.

Sem dúvida seu custo por mil é reduzidíssimo, mas muito mais útil em promoções e contatos de caráter informativo. Pode ser usado desde que não passe a idéia que o cliente é apenas mais um a receber determinada mensagem. Quando um amigo nos manda um e-mail, por exemplo, sabemos que este pode ter sido enviado a diversas pessoas, mas ao recebermos uma carta, pelo correio, escrita a mão, sentimos que por alguns instantes aquele amigo reservou seu tempo, que hoje em dia é importante para todos, pensando em nos passar algo. Nos sentimos importantes, valorizados, e é isto que o cliente de hoje, cada vez mais exigente, deseja e até paga mais caro para obter.
Ainda na área de seguros, algumas empresas estão sorteando entre seus clientes mais fiéis viagens de férias para duas ou três pessoas. Embora o custo pareça elevado, é muito fácil conseguir parcerias com agências de viagens, que normalmente são clientes e ajudam a vender seguros de viagem (saúde etc...). Uma boa opção é utilizar stands em locais que aumentam sua circulação em épocas de fim de ano, como shopping centers e galerias.
O calendário é útil a todos, mas com o advento do celular, a convergência, a popularização do notebook e palm top, o segredo passou a ser a criatividade. Um calendário que se esconde em uma caneta de forma retrátil, chama mais a atenção que uma peça que ocupa espaço em uma mesa, onde já se precisa de espaço para o PC, celular, chaves do carro e papéis do dia-a-dia. Não importa mais “o quê”, mas “o como”.
Como disse, é necessário conhecer o cliente. Seus hábitos necessidades e desejos. Aí entra a vantagem de uma pequena ou média empresa e de um sistema de informação com um data base útil e funcional.
A primeira coisa é a impressão causada no cliente. Ele tem que gostar de ter recebido o brinde. A utilidade também é importante, pois um item que carrega minha marca ou imagem e é usado constantemente se torna uma ação de branding muito efetiva. Procure ser diferente. Existem publicações especializadas neste segmento com catálogos riquíssimos e que oferecem opções com preços acessíveis e gostos diversos.
Deve-se ter cuidado para não “perder o tempo da bola”. Leve em consideração possíveis atrasos de fornecedores e na distribuição. Em média uma semana de antecedência a uma data importante como o natal, por exemplo, surte o efeito desejado.
Os brindes de fim de ano são uma boa oportunidade de agradar o cliente numa época em que muitas empresas com as quais este mantêm relações o faz, mas o cliente deve ser lembrado o ano todo e não apenas em fim de ano. Aniversários, dia do médico ou advogado, dia dos pais etc, são mais que uma data comemorativa, são oportunidades de fidelizar os clientes e fazer destes clientes apóstolos, que fazem um marketing boca-a-boca efetivo a seu favor, o mais barato do mundo.
Lembrem que o corretor de seguros não é apenas um vendedor, mas, um facilitador da vida do cliente. Mais importante que vender um seguro é garantir a qualidade de serviços quando necessários. Passar confiança e acessibilidade é muito importante e lembrar o cliente que pode contar com ele para a solução de um problema, renovação de um contrato ou apenas o recebimento de um simples cartão de natal, são ações igualmente importantes. A dica é uma só, ninguém se chateia por ser agradado em demasia.




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terça-feira, 13 de maio de 2008

Efeito Borboleta


Efeito borboleta é um termo que se refere às condições iniciais dentro da teoria do caos. Este efeito foi analisado pela primeira vez em 1963 por Edward Lorenz . Ela atesta que o bater de asas de uma borboleta pode provocar um furacão do outro lado do mundo. É uma maneira de dizer que pequenos acontecimentos podem ter grandes conseqüências. Esta definição se encaixa perfeitamente ao caso do mosquito da dengue e a atual epidemia em alguns estados brasileiros.
É impossível não se pegar pensando “Como pode um inseto tão pequeno causar enfermidade e até a morte de pessoas infinitamente maiores que ele?” Explicações genéticas à parte, o fato é que aprendemos a conviver com os surtos e epidemias e nem sempre nos damos conta de como eles acabam mexendo com nossas vidas.
Os órgãos de saúde federais, estaduais e em especial os municipais, uma vez que estamos em ano eleitoral, não tardam em anunciar medidas para sanar o problema ou ir à TV mostrar como estão preocupados e trabalhando incansavelmente. Tentam promover-se com as soluções encontradas e medidas que não deveriam sequer ser necessárias, pois a prevenção não deveria se dar apenas em épocas de surto.
Isto sem contar nos efeitos de mercado; Protetores se esgotam das prateleiras e o aumento da demanda causa elevação de preços e escassez de produtos. Os laboratórios e farmácias lucram horrores e nos deixam na dúvida se não seriam eles a sujar à noite os terrenos baldios que limpamos durante o dia. É mais que óbvio que exageros à parte, existem setores que lucram com as epidemias. Os supermercados nunca venderam tantos inseticidas ou velas repelentes. As Lojas de plantas estão vendendo mudas que até então eram desconhecidas de boa parte da população como a citronela, por exemplo. Um simples remédio para dor de cabeça tem alta de até 300% em tempos de epidemia. As empresas têm prejuízos com funcionários doentes e os hospitais ficam lotados, com pessoas que muitas vezes não conseguem atendimento. Com medo de não serem atendidos caso necessitem, muitos fazem planos de saúde às pressas e torcem para os hospitais conveniados não negarem atendimento por falta de leitos. Um novo Hospital em Aracaju até aproveitou para se promover e lançou uma ala especial para doentes com dengue antes mesmo de sua inauguração. Uma ótima oportunidade de aliar a nova marca à responsabilidade social.
Mas uma coisa me intriga; Se todos os anos há a possibilidade de surtos em virtude do período de chuvas, por que esperamos acontecer para falar a respeito ou tomar providências? Remediar parece ser mais fácil que prevenir e subestimar potenciais crises na saúde ou qualquer outra área permanece uma mania nata aos brasileiros. Temos a versão tupiniquim da teoria do efeito borboleta; “o efeito mosquito”.

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terça-feira, 8 de abril de 2008

O marketing de relacionamento e a orientação para o cliente.

No passado, as empresas já foram orientadas para a produção e para vendas. No fim da década de 40, período crucial na indústria onde produzir muito garantiria a vitória aliada na segunda guerra mundial, tinha-se o setor de produção como o mais importante. Já a imagem do consumidor desconfiado e o jargão “papo de vendedor” que vez por outra denota um cunho pejorativo num argumento de vendas, é herança do “vender a qualquer custo” que perdurou na década de 50, quando o boom de produção do pós-guerra na sociedade capitalista ditava as regras. Mas o dinamismo do mundo e da economia, bem como a tendência globalizadora das relações comerciais fez com que as empresas repensassem sua forma de atuação mercadológica. Nos dias de hoje, as empresas que não têm sua orientação para o cliente estão fadadas ao fracasso.
Clientes satisfeitos geram fluxo de caixa contínuo, sendo necessária uma comunicação diferenciada e ações de fidelização. Alguns setores como o de supermercados enfrentam problemas para adotá-lo de forma efetiva, pois dificilmente conseguem fazer uso de data-mining, competindo quase que exclusivamente na política de preços, mais atrativa em nossa atual situação sócio-econômica. Conseguem no máximo, segundo pesquisas, uma ampliação de clientes novos e de mercado, mas sem gerar fidelização. Talvez não levem tão a sério a fidelização de clientes por concorrerem em um setor essencial, pois, qual família não vai a um supermercado para abastecer-se semanalmente? Seria tão simples levantar dados sobre os hábitos de consumo de seus clientes. Com certeza um cliente que tem o hábito de consumir vinhos regularmente adoraria ser informado de promoções de vinhos por mala direta, por exemplo.
O Marketing de relacionamento ou CRM (custumer relationship development) é mais que uma técnica ou recurso. É uma filosofia organizacional que envolve toda a empresa e seus stakeholders. Os programas de fidelização como programa especial de reconhecimento de clientes, cartões próprios da empresa, clube de clientes, programa de marketing de assiduidade e programa VIP para os clientes mais importantes de nada valem sem um endomarketing efetivo. É preciso que toda a empresa e seus colaboradores ou clientes internos estejam envolvidos num contexto onde o cliente é o centro das atenções e os demais setores da empresa orbitam ao seu redor. Isso vem sendo posto em prática no mercado securitário com excelentes resultados por empresas como Banco Itaú, Banco Real e Porto Seguro Seguros.
A fidelização é muitas vezes motivação para ações de branding. A identificação e diferenciação ou a garantia do oferecimento de produtos uniformes são objetivos de muitas empresas que buscam fortalecer sua marca como uma estratégia de marketing. Isto fica bem visível no mercado de produtos de alto luxo, onde o valor percebido pelo consumidor se deve em grande parte à marca do produto ou serviço. Empresas como a Oi, um grande player da telefonia celular, utilizaram esta estratégia com maestria. O mote “não tenha um celular, tenha um Oi” foi uma clara utilização da marca para vender um produto e serviço. A Oi também fez uso de vantagens até então nunca oferecidos aos clientes e que desencadearam uma série de mudanças no modo como o serviço de telefonia móvel era vendido e a forma das operadoras se relacionarem com os clientes. Planos mais vantajosos, aparelhos mais modernos e de design arrojado e serviços diferenciados garantiram a Oi um marketing share considerável em um mercado acirrado onde apenas dois players disputavam os clientes.
O uso da informação é outro fator relevante para a criação de um CRM efetivo. A utilização da Tecnologia da informação (TI) e da “business intelligence”, a integração de dados sobre o cliente e a criação de um “data warehouse” são fundamentais para as empresas que querem se tornar competitivas. É algo que está disponível para todas as empresas, tornando-se, portanto um diferencial de vida curta, mas a redução do tempo entre a coleta de dados, sua análise e utilização estratégica é o verdadeiro desafio para as empresas. A informação é um importante capital, comparando-se aos recursos de produção, materiais e financeiros e como tal deve ser levado a sério. É claro que existem vários níveis de informação e diversos graus de importância de uma mesma informação para esta ou aquela empresa, mas é sua gestão que define os esforços desprendidos para sua captação, bem como sua utilização, evitando desperdício de tempo e recursos com dados inúteis ou o não aproveitamento de informações vitais para o negócio.
O Marketing de relacionamento é, portanto, a orientação para o cliente e para o lucro. Já recebeu o conceito de Marketing 1to1 (one to one), uma clara referência a segmentação e à prática de tratar cada cliente como diferenciado e único. Não é mais uma tendência, mas um mandamento da gestão moderna e focada em resultados tanto qualitativos quanto quantitativos que norteia as ações de marketing e estratégias de gestão. Ouvir, entender, conhecer, cuidar e zelar pelo cliente e seus interesses pode não apenas melhorar a rentabilidade de um negócio, mas garantir sua sobrevivência.


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quinta-feira, 6 de março de 2008

Quem pode mais?

Até algum tempo as empresas e o mercado viam a importância do marketing de forma muito limitada. Este era considerado uma ferramenta necessária para prospecção de clientes e aumento de vendas. Seu foco foi variando com o tempo e tivemos vários fatores supervalorizados de forma quase que exclusiva, mas sempre menosprezando os demais, como foco na produção, no produto, em vendas, no cliente, etc. Hoje o marketing é fundamental para toda e qualquer organização, embora alguns o achem mais importante que os demais setores da empresa, gerando algumas disputas internas e problemas de clima organizacional. A verdade é que todos são importantes, complementares e necessitam de ações conjuntas e troca de informações.
O marketing deve levar em consideração toda a organização e seus “stakeholders”. Estes são aqueles que de alguma forma estão envolvidos no mundo e dia-a-dia da organização como os clientes, funcionários e colaboradores, fornecedores, acionistas, governo, comunidade, mercado, concorrentes, enfim, tudo que faz parte da vida da organização. Daí a segmentação do marketing e suas especificidades como CRM ( relacionamento com clientes), B2B (business to business ou marketing empresarial), endomarketing (marketing interno) e muitas outras siglas e expressões que servem para designar nada mais que o assunto tratado, ou para orientar atividades, facilitando sua assimilação pelos envolvidos no planejamento, execução e monitoramento das ações adotadas.
Embora cada vez mais especializado, o marketing continua geral, com uma abordagem macro e especial missão, não mais função, de agregar valor a produtos e serviços e aumentar a percepção geral de importância das organizações. Isto implica em fazer o dever de casa pesquisando e monitorando o mercado e interagindo com os demais setores da empresa.
Recursos Humanos, P&D, Financeiro, departamento de vendas e Marketing, são todos peças fundamentais em qualquer empresa e não podem perder tempo em corridas internas para ver quem pode mais, quem decide mais. O planejamento estratégico da empresa é norteado por todos, e deles exige comprometimento. São órgãos vitais de um só corpo, para haver saúde é necessário que nenhum deles esteja doente.

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terça-feira, 22 de janeiro de 2008

MARKETING SENSORIAL


A exploração dos 5 sentidos no marketing não é uma novidade, mas o estudo de seus efeitos é recente. Quando introduzido corretamente em uma empresa, o marketing sensorial vem a contribuir satisfatoriamente para toda e qualquer atividade. O seu uso sem exageros ou imposição é altamente recomendado pelo marketing moderno num mercado cada vez mais dinâmico e competitivo.
A visão é talvez o sentido preferido dos profissionais do marketing. Estudos sobre cores e suas influências definem logomarcas, pois podem orientar para acalmar o cliente, agitá-lo, ou até mesmo despertar-lhe fome. O design dos produtos segue cada vez mais o efeito que este causa no consumidor, passando de mero detalhe a fator primordial digno de premiações. Pesquisas mostram que nossa memória visual é muito melhor que a auditiva ou olfativa, por exemplo, daí o fato de termos que ouvir uma música ou sentir um cheiro várias vezes para nos lembrarmos destes, enquanto uma cena vista uma única vez pode nos marcar para sempre.
A exploração do olfato é muito utilizada em lojas de artigos esportivos, indústria da moda e automotiva. Quem não adora cheiro de carro novo? Existem estudos que definem fragrâncias que estimulam a compra para artigos de prática de esportes ao ar livre. Clínicas e hospitais têm cheiro definido pelas essências que trazem impressão de limpeza. Aromas que nos fazem sentir em casa como café ou canela, por exemplo, podem aumentar tempo de permanência numa loja. O dizer “Aromatizado artificialmente” é freqüente em uma infinidade de produtos e é claro, influenciam nossa decisão de compra.
Os sons podem ser notados em supermercados, onde músicas calmas e relaxantes são utilizadas em dias com pouco movimento, para maximizar o tempo de permanência dos clientes nas lojas, enquanto que músicas mais agitadas ditam o ritmo em dias de muito movimento para garantir a diminuição de filas e a espera. A fixação de jingles e músicas de campanhas também é bastante explorada. Quem não lembra o slogan “pediu Brahma pediu bem” cantado à exaustão?
O paladar também é muito estimulado, sobretudo nos pontos de venda. O merchandising com degustação é freqüente e imensamente eficaz na introdução de novos produtos no mercado. Mas engana-se quem atribui apenas à provação o uso deste sentido. Ao oferecer balas ou chocolates aos seus clientes, as companhias aéreas fazem um mimo ao cliente, melhorando sua reação física ao vôo, fazendo-o mastigar antes e durante a decolagem, melhorando o desconforto causado pela diferença de pressão. Acabam por fim elevando uma sensação gostosa do paladar a um sentimento de conforto que não encontraria em outra companhia.
O tato prova-se útil não apenas no design de produtos que facilita seu manuseio, mas até ao passar confiança aos clientes. Segundo Solomon (2002), durante um estudo foi constatado que em um restaurante, quando os clientes eram tocados pelos garçons, davam gorjetas maiores. Em supermercados, os demonstradores quando tocavam de leve os clientes, tinham mais sucesso em convencê-lo a experimentar um novo produto e fazê-los comprar.
Aspectos culturais devem ser valorizados, pois tocar o cliente no Japão pode ser tão desastroso quanto o sabor carne em um Miojo na Índia. Com os devidos cuidados, o Marketing sensorial é uma ferramenta barata e bastante eficaz na prospecção de novos clientes e na fidelização de clientes já conquistados.

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sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Boas festas!


Desejo a todos meus amigos e leitores, um natal tranquilo, farto, com alegria em família e muita saúde. Que Papai Noel traga o tão esperado presente e que quem lhe tirou no amigo secreto não invente de lhe dar aquele dominó de R$ 1,99 ou aquela Blusa totalmente fora da estação, que ainda por cima é duas vezes o seu tamanho.



feliz natal a todos!


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segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

O marketing educacional sem virtudes

Qualquer estudante de marketing e propaganda sabe como pode ser apaixonante e até viciante sua área de atuação, mas como em qualquer outro campo de trabalho, vez por outra vemos situações onde há o uso de artifícios que beiram a falta de ética e os fins justificam os meios, deixando profissionais de estômagos mais sensíveis assustados com a inexistência de limites.
No início deste mês, tivemos o processo seletivo seriado para a Universidade Federal de Sergipe – UFS, o tão temido vestibular. Muitos adolescentes e pouquíssimos adultos ansiosos movimentaram por 4 dias as “pardalizadas” avenidas da cidade para ingressar na única universidade pública de nosso estado. São jovens que há anos vem se preparando para uma bateria de testes e que tornam o negócio da educação em nosso estado um verdadeiro filão. Este momento acaba sendo desvirtuado pelas escolas e usado exclusivamente como oportunidade para marketing de fim de ano.
É muito difícil conseguir, nos meses de Novembro a Janeiro, vagas para veiculação em bons pontos de outdoors, por exemplo, em função da demanda de escolas e faculdades para o fim de ano, época de matrícula nestes estabelecimentos. Busdoor, rádio, TV e muitas outras mídias existentes são alocadas como recurso para que a “indústria do conhecimento” aproveite o momento e faça caixa para honrar compromissos, além de garantir os investimentos de início de ano letivo.
Mas até onde a escola/empresa que vive de algo tão nobre como a educação deve ir?
Escolas oferecendo 200, 300 bolsas para excedentes no curso de medicina, carro zero sendo exposto e sorteado entre os primeiros colocados, café da manhã nordestino sendo oferecido a pais e alunos às portas do local de prova, massagistas profissionais à disposição dos alunos mais tensos, professores sendo “convocados” a desejar boa prova para seus alunos e imensas barracas de lona sendo montadas no campus universitário para expor tudo isto, fazendo alusão ao verdadeiro circo que se tornou o ingresso destes jovens na universidade. Candidatos que vem de outros estados ficam assustados e não escondem o espanto com tamanha panacéia, que segundo eles mesmos só acontece aqui. Um verdadeiro desfile de egos e uma batalha velada entre escolas que disputam para mostrar quem pode mais, quem prepara mais, quem aprova mais, como se resumissem a formação do indivíduo, do cidadão, do estudante em sua aprovação no vestibular. Isto está errado! A escola seria (salvo engano) uma instituição que deveria instruir, educar, ensinar valores, que não pode assumir uma postura demagógica ao ensinar a criança a ajudar o coleguinha de classe enquanto faz de tudo para acabar com a escola do mesmo bairro, chegando a ligar para os melhores alunos da concorrente e oferecer bolsas integrais já pensando em resultados nos vestibulares futuros. Se uma escola põe faixas nas ruas hoje, todas as outras escolas se vêem obrigadas a fazer o mesmo, tomados por um estúpido pensamento que mais lembra a guerra fria e sua corrida armamentista. O estudantes, que em tese deveriam estar tão tranqüilos quanto preparados, são bombardeados de cobranças e sofrem conformados com uma situação que a família diagnostica como pressão normal de vestibulando. Não há nada de normal nisso. Uma simples transição acadêmica se transforma em uma verdadeira tortura para cabeças ainda jovens e em formação.
Todas estas ações têm o “marketing” sendo usado muito mais como desculpa que como preceito de sucesso empresarial. Os resultados saltam aos olhos quando vemos o crescimento de alguma destas escolas a um custo social muito alto, uma vez que nossos jovens são castigados para que elas possam por mais faixas na rua.

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segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Viva! É fim de ano!

Com a chegada das festas de fim de ano, todas as empresas ficam de olho no aquecimento da economia causado pelo aumento de consumo. É época de saldar dívidas, comprar aquilo que foi cobiçado o ano inteiro e quem sabe, fazer novas dívidas.Como já escrevi antes, o brasileiro em geral não sabe comprar e é muito emocional em suas atitudes. O marketing sabe disso e faz uso de todas as armas para atrair a atenção do consumidor.
A decisão de utilizar um piso escorregadio nos shopping centers, por exemplo, é em parte devido a decisões tomadas pelo departamento de marketing. Estética a parte, a grande maioria das pessoas que circula por lá é composta por mulheres, que por sua vez utilizam saltos, sendo assim obrigadas a andar devagar para não escorregar. Logo, passam mais tempo em frente a vitrines e compram mais. Os displays também utilizam a decoração de fim de ano com temas natalinos e de ano novo, o que incita o consumo de presentes, roupas novas e “lembrancinhas” explorando a sensibilidade do consumidor brasileiro.
A TV, outdoors, revistas e todas as formas de mídia e no mídia são inundados com anúncios que visam abocanhar o tão aguardado décimo terceiro salário, que é o maior responsável por este aquecimento. Este é na verdade uma forma de fazer o dinheiro circular, pois o capital sai das empresas para o assalariado, maior classe consumidora no país e volta para as mãos de outras empresas que produzem bens e serviços que este consome. O mercado imobiliário e o setor de construção comemoram altas vendas com o desejo de melhoria de vida e reformas de imóveis. O setor de turismo é beneficiado com a chegada do verão e o aumento do fluxo de turistas. É nesta hora que se destacam algumas agências de marketing no quesito criatividade. Compor o mix de marketing preocupando-se apenas com os 4Ps (produto, preço, praça e promoção) ainda é o mais comum, mas alguns inovam e aproveitam a alta circulação de consumidores nos pontos de venda para aumentar o poder da marca (branding). É uma ótima época para merchandising (como degustação no ponto de venda, por exemplo).
Para os profissionais da área, é uma boa oportunidade de monitorar o mercado e aprender o que funciona ou não. Porém, uma coisa deve ser levada em consideração; O aumento de circulação de capital no mercado é apenas um dos fatores a serem considerados. As variáveis culturais, sociais, econômicas e humanas devem ser levadas em conta e cada fim de ano pode ser completamente diferente do outro. Uma campanha pode não funcionar hoje, mas ser um enorme sucesso alguns anos depois. É por isso que não recomendamos em nossa agência que o planejamento de marketing seja inflexível no que diz respeito a sua execução ou que tenha um cronograma muito extenso. Preferimos lidar com ações planejadas pra curto e médio prazo. Quanto mais longo o planejamento, mais flexível este deve ser. Ajustes são inevitáveis e até salutares, porque o dinamismo do mundo de hoje não deixa o marketing a margem de mudanças.
De qualquer forma, as ações adotadas visando exclusivamente este consumidor mais capitalizado no fim de ano devem ser tratadas como eventuais ou sazonais e constar no planejamento de marketing e comunicação como apenas uma parte do todo. Lembremos que a empresa está aberta o ano inteiro e não seria nenhuma demonstração de saúde financeira depender desta época do ano para sua sobrevivência. Potencializar receita sim, mas tapar buraco nunca, sob pena da empresa não conhecer muitas primaveras.


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sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Estratégia

Uma das empresas atendidas por minha agência, a D2 Marketing & comunicação, é uma grande escola de Aracaju (Coesi). Lá, mais que em qualquer outra empresa, percebemos a importância da adoção de uma estratégia no planejamento de marketing. Após o briefing elaborado em Julho deste ano, percebemos a necessidade de tornar a escola mais conhecida do público, uma vez que oferece serviços educacionais de primeira linha. A disparidade entre os serviços oferecidos e o recall na cabeça dos consumidores era enorme. Problemas como antigas campanhas com pouco planejamento, localização, e deficiência no marketing interno são os maiores desafios. Embora esteja localizada em bairro nobre, a empresa havia surgido em um conjunto residencial visto com ressalvas na época de sua criação e ainda era encarada como “escola de bairro” pela maior parte da população que a conhecia, mesmo passados 25 anos de sua fundação. Desde então, tem se preocupado em oferecer o que há de melhor em educação e sempre investiu pesado em qualificação, estrutura e tecnologia, mas só agora atentou para a importância de maiores investimentos em marketing.
O Colégio de Orientação e Estudos Integrados (Coesi) tem uma estrutura familiar, o que garante uma integração entre coordenadores e diretores, que têm sua formação direcionada pra a gestão da empresa desde o berço. Consideramos um ponto positivo o fato de ter pessoas que crescem conhecendo na prática o que verão na vida acadêmica.
O nosso primeiro passo foi atuar no endomarketing. Reunimos a equipe administrativa e de atendimento para salientar a importância da organização e da administração participativa. Uma pesquisa de clima organizacional foi conduzida para identificar problemas e sugestões surgiram a partir de seu resultado. As equipes de apoio foram treinadas e conscientizadas de seu papel na organização e todos foram informados dos objetivos e valores da empresa. Notamos que alguns colaboradores sequer sabiam quais eram a missão e visão da organização.
Feito isto, começamos a montar a estratégia para aumentar o recall da marca e fazê-la mais conhecida. Até então, a escola que sempre foi gerida por educadores de verdade, fazia uso de motes sensibilizadores, ficando a margem do marketing de guerrilha que vemos em outdoors e campanhas de outras escolas da região. Mas não podemos fugir de uma realidade, isto funcionava, e chegávamos então a nosso maior impasse. Como cativar clientes e conquistar novos, acostumados a uma verdadeira guerra entre escolas sem ferir a vontade dos gestores de manter este perfil sensibilizador que é parte inerente a imagem da empresa?
Criamos uma campanha dividida em duas partes; Um anúncio de capa e contracapa em um novo veículo de mídia chamado guia do estudante Sergipano e que teve uma ótima resposta frente ao público alvo e a promoção “test-drive”. Nesta promoção, o cliente pode ligar para escola e um Renault Scenic identificado por plotagens da promoção e com motorista uniformizado vai buscá-lo em sua casa e o leva de volta após uma visita guiada pela escola. Outdoors foram espalhados pela cidade com o convite sendo feito e fotos do veículo de portas abertas. Estimulamos nossos estudantes a participar da campanha com um incentivo para indicações e premiaremos os que conseguirem converter as indicações em matrículas com microcomputadores, que serão expostos no pátio da escola. Paralelamente, espalhamos outdoors em pontos chave da cidade com testemunhos e fotos de profissionais educadores que escolheram a escola, o que demonstra a qualidade reconhecida por pessoas ligadas à educação. Uma empresa especializada em distribuição de material gráfico foi contratada para cuidar da veiculação de um novo folder institucional, que diferentemente das demais escolas, trata de mostrar o que a escola oferece, mas, mantendo a linha lúdica, menos comercial.
Os resultados qualitativos já podem ser medidos pela ótima repercussão do plano de comunicação.
A estratégia adotada por qualquer agência nada mais é do que o entendimento entre as vontades do cliente e os caminhos encontrados pelo profissional do marketing pra atingir os objetivos. É importante não permitir que fatores como ego ou orgulho atrapalhem sua criação. De qualquer forma, como diz o capitão Nascimento no filme “Tropa de Elite”, estratégia é algo que merece nossa atenção e não se pode dormir no ponto neste assunto. A coisa toda pode ir pelos ares...

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

MICO

Recebi alguns e-mails de leitores perguntando o porquê da demora em postar novos artigos (hoje fazem 8 dias desde a última postagem). Descobri que a velha máxima “Tu és eternamente responsável por aquilo que cativas” também vale para os bloggeiros e o mundo virtual. É muito bom saber disso.
Começo então este artigo pedindo desculpas pela demora e dizendo que esta foi em função de alguns projetos pessoais que exigem muito de minha atenção. Tentarei ao máximo manter minha regularidade na produção de novos textos.
Bem, no último fim de semana, tive a oportunidade de participar de um congresso aqui em Aracaju conhecido como “MICO” (Mídia e comunicação). Como qualquer outro congresso de comunicação, algumas palestras e oficinas agradaram mais que outras, mas dentre os palestrantes convidados podemos destacar a brilhante participação de sua grande maioria;
Lígia Bungestabs (Zaptmídia – Miami) deu uma verdadeira aula de planejamento e mostrou a tendência de algumas agências em focar seus serviços em apenas uma área da atividade, como planejamento, por exemplo, prestando serviços para outras agências sem aquele setor específico. Um compreensível processo de horizontalização. Seria o fim das agências plenas? Improvável.
Jota Erre Lima (Banco do Brasil - DF) deu um show falando sobre marketing para produtos de luxo e as nuances desse segmento. Foi uma palestra realmente interessante. Também pudera, a conta do BB é de alguns milhões, o cara sabe o que está falando. Tive a oportunidade de almoçar com ele no sábado, no hotel do evento pouco antes de seu “check out” e é claro que eu parecia mais uma esponja de idéias que qualquer outra coisa. Ele é uma pessoa muito acessível e troca informações numa boa.
Maurício Kubrusly (Globo-SP) mandou muito bem como sempre nos quesitos simpatia e cultura, mas parecia mais interessado em promover seu quadro “Me leva Brasil” no fantástico e seu livro homônimo. Foi ótimo pra descontrair, mas nada mais que isso.
Ricardo Piologo (Fábrica de quadrinhos – SP) nos mostrou a trajetória de seu site, o divertido “Mundo canibal” e de como foi difícil ser bem sucedido fazendo o que gosta; desenho animado. Mas ele poderia ter mostrado um pouco mais sobre técnicas em animação em flash. De qualquer forma valeu pela qualidade de seu trabalho e o fator motivador.
O jornalista José Antônio Ramalho (Folha de São Paulo) falou da importância da tecnologia no jornalismo de hoje e nos presenteou com relatos de matérias excelentes que fez ao redor do mundo e como a tecnologia o ajudou a trabalhar mesmo nos lugares mais inóspitos. O cara tem mais de cem (isso mesmo 100!) livros publicados nas áreas de informática, fotografia e jornalismo de aventura.
Guilherme Sebastiany (Sebastiany Design – SP) mostrou um conhecimento notável e uma palestra que apesar de bastante técnica se mostrava muito elucidativa sobre “branding”.
O encerramento não poderia ter sido melhor. Tivemos o privilégio de receber Roberto Dualibi (presidente da DPZ – SP), um dos maiores publicitários do país que comanda uma agência premiada internacionalmente. Ele nos falou sobre a importância da criatividade e da valorização do talento, além de nos mostrar em primeira mão alguns “cases” feitos para clientes da DPZ como Itaú e Bombril. O lado humano deste senhor que tem sua humildade diretamente proporcional a sua importância para a propaganda brasileira me surpreendeu por demais. Pequenas bolas de borracha foram atiradas para a platéia e premiavam com seu novo livro quem as pegasse. Uma delas garantia uma viagem para conhecer a DPZ com tudo pago e acompanhar o departamento de sua escolha por uma semana. A menina sentada a minha frente pegou esta bola... lembro que quando vi aquela maldita bola azul em minha frente quase embaixo dos meus pés pensei; “Já estou com a minha... deixa a garota pegar o livro dela...”(é claro que este era o anjinho em minha cabeça falando, porque o diabinho devia estar dormindo, sei lá.)
É meus amigos, às vezes o egoísmo premia... se arrependimento matasse... eu já teria reencarnado um MICO! (desculpem a piada, mas não resisti).
Enfim, o balanço do encontro foi positivo. Salvo algumas poucas falhas na organização e algumas palestras descafeinadas onde os convidados (que nem citei) estavam mais interessados em promover suas agências ou a si mesmos, o evento com certeza garantiu minha participação em edições futuras.
Quanto ao MICO, não paguei nenhum, mas aprendi que nem sempre se deve ouvir a consciência (diabinho dorminhoco FDP *! #*!%!).

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Olho por olho...

Estou aguardando o julgamento de uma ação que está em andamento desde o início de 2006 contra um plano de saúde do qual eu e meu filho somos clientes. Diz respeito a danos morais e ao ressarcimento de valores gastos com uma cirurgia de emergência no Rio de Janeiro no olho esquerdo de meu filho, hoje com 11 anos, em virtude de um acidente com vidro. O plano de saúde deu com os ombros e afirmou que ao invés de ouvir os especialistas que indicavam médicos e hospitais específicos para que meu filho não perdesse o olho, eu deveria consultar o caderninho de conveniados que eles deveriam ter enviado para minha casa. Mas após todo o estresse do processo e confiante no resultado, eu cheguei a uma conclusão. Não dá pra ser leniente com um serviço ou produto que desagrade. Isto já fez parte do perfil do brasileiro por tempo demais... Agora sou CONSUMERISTA!
Consumerismo é um movimento que, embora recente, tem raízes em acontecimentos passados. É a ação social permanente de grupos ou instituições que exprimem os interesses dos consumidores. Estes interesses são geralmente a preservação da qualidade e da autenticidade dos produtos. A expressão ganhou mais abrangência falando-se até em consumerismo ecológico e muitos o praticam sem conhecimento do termo. É o consumo ético. O consumidor tem conhecimento dos canais de produção, transformação, distribuição e consumo. Tudo isto é mediado com uma posição moral do ponto de vista social, econômico e assente na solidariedade e no respeito.
Falando do passado, o código de Hamurábi, no século XVIII antes de Cristo (é, aquele mesmo do “olho por olho e dente por dente”), embora abrangesse antigas leis, tinha em suas 282 cláusulas muitas referências ao que poderíamos chamar nos dias de hoje de direito do consumidor. Se sua casa tivesse um defeito de construção, o contratado para o serviço devia efetuar o conserto sem ônus para o proprietário. E caso houvesse um acidente em virtude do serviço prestado e o proprietário do imóvel perdesse um filho num desabamento, por exemplo, o filho do construtor devia ser sacrificado.
Muito diferente dos brutais excessos das punições corporais das leis mesopotâmicas Assírias, o nosso código de defesa do consumidor é, apesar de recente, o maior expoente deste movimento e um divisor de águas no direito e nas relações de consumo. Além de elogiado em todo o mundo, ele serviu de base para reformas legislativas em diversos países do Mercosul. A criação do Procon e dos juizados de pequenas causas também foram progressos importantes. Sentenças de danos morais que seriam impensadas a algumas décadas hoje são bem comuns. O consumidor brasileiro está mais exigente, mais crítico, mais consciente e como conseqüência imediata vemos uma melhora na produção de bens de consumo, na prestação de serviços e na propaganda.
Mesmo legalmente amparado e protagonista do movimento consumerista, o consumidor ainda tem o desafio de fazer diminuir a necessidade de se recorrer a órgãos de defesa de seus direitos e alcançar uma maior agilidade da justiça para que estes mesmos direitos sejam garantidos.
Em tempo; Meu filho passa bem e está se recuperando.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

O futuro da propaganda.

Até alguns séculos atrás a única forma de publicidade e propaganda de um produto ou serviço era o boca-a-boca. Dependíamos de indicações e da busca de novos clientes através de visitas que raramente eram feitas, pois o dono estava sempre tocando o negócio e força de vendas era algo que simplesmente não existia. A única propaganda consistia numa placa sobre a porta, fora da lojinha, ou o letreiro amadoramente pintado com as próprias mãos onde se lia “ferreiro” ou “costureira”.
Com a constatação de que existia a necessidade de publicidade e propaganda e a evolução das mesmas, surgiram formas de divulgar serviços e produtos. Cartazes, carros de som, merchandising, panfletos, placas, jornais, revistas, rádio, TV, outdoors, busdoors, folders, banners... e mais recentemente a internet. É claro que tudo isto está exemplificado de uma forma muito resumida, cronologicamente falando. Onde quer que olhemos somos bombardeados com informações que guiam nosso comportamento e a não ser que vivamos em uma aldeia totalmente isolada da civilização, somos influenciados por apelos de marcas que norteiam nossas prioridades enquanto seres consumidores.
Fica difícil prever onde vai parar a criatividade dos publicitários. Numa civilização que dobra seu conhecimento a cada 10 anos, a propaganda está em situação concomitante com os avanços na área de tecnologia e telecomunicações. A convergência de meios, como é o caso do aparelho celular, também promove uma corrida de criação de novas formas de atingir o consumidor mais diretamente. Este anda hoje com um meio ambulante de anúncios no bolso, que além de fazer chamadas telefônicas também é um organizador pessoal, tocador de MP3, câmera fotográfica e micro computador, podendo ser influenciado ao ligar o aparato ou consultar o saldo bancário. No elevador ele assiste a comerciais de escritórios de advocacia através de um minúsculo monitor de LCD, enquanto transita entre os andares de um prédio comercial. Assiste a jogos de futebol e vê anúncios que só existem pra os telespectadores, pois são gerados digitalmente. Quando loca um DVD e este é entregue em casa, o disco vem numa caixa de pizza e além de promover o prazer de um bom filme acaba dando uma fome... Isto sem falar nas ligações de operadores de telemarketing que possuem bola de cristal de última geração e conseguem seu número pessoal, lhe chamando pelo primeiro nome. Devido a esta diversidade ganhou importância um setor em agências de propaganda chamado de “Mídia”. O Mídia é responsável pelo contato com os diversos meios de comunicação bem como pela análise das necessidades do cliente e defesa de seus interesses frente a esses meios. É um setor sempre antenado com o mercado, suas novidades e é de fundamental importância em qualquer campanha.
O fato é que os meios mudam, se tornam mais efetivos, estimulam o consumo e transformam a sociedade. Por isso a propaganda é algo tão viciante para os estudantes e profissionais da área. Porque além de ser tão dinâmica, é cheia do novo, da transformação e criatividade, adquirindo para nós um status de arte. A propaganda vai ter sempre a inovação como aliada, pois sabe que o consumidor admira esta característica. Talvez até para inovar a expressão boca-a-boca ganhando novos nomes como “buzz marketing”.
Pode-se assim, ter certeza que os meios de propaganda de 10 anos atrás mudaram bastante. A maior característica desta “arte” é que ela já nos surpreende hoje, no presente, deixando a incerteza do que nos reserva o futuro...
Quanto à pergunta título do artigo, é muito fácil de responder;
Vai parar na cabeça do consumidor.

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sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Gerenciamento de clientes – CRM

CRM é uma sigla para a expressão em Inglês Customer Relationship Management (Gerenciamento de relacionamento com clientes). É uma prática que tem sua origem em eventos recentes.
O marketing de relacionamento surgiu da vontade de estreitar os laços com os clientes a partir do conhecimento do mesmo e de suas necessidades. Notou-se que com uma concorrência crescente, o atendimento e a relação do cliente com a empresa seriam ótimos diferenciais. Um banco de dados é criado (Data base marketing) com informações diversas e serve de base para identificar os clientes, suas diferenças e semelhanças. Desta forma, pode-se individualizar o atendimento, criar novos serviços, selecionar qual cliente é mais importante para a empresa e diferenciar um produto ou a maneira como o cliente é atendido.
Nos anos noventa, com a abertura de mercado e o surgimento de diferentes empresas em diversos setores de nossa economia, algumas vindas do exterior, empresas que passaram décadas sem concorrência se viram ameaçadas por outras recém chegadas, com modernas técnicas de gestão muito diferentes da burocrática estrutura que perdurara por anos. O marketing de relacionamento passou a assumir um papel de diferencial num mercado infinitamente mais competitivo. As prateleiras de supermercados e as listas telefônicas passavam a oferecer ao cliente algo que até então ele desconhecia; opções.
Algumas empresas criaram um departamento exclusivo de CRM e este tem papel fundamental na solução de conflitos, no projeto de novos produtos ou serviços e na manutenção dos clientes conquistados. Os “mimos” que por muito tempo foram vistos como gastos necessários, passaram a ser considerados investimentos, e pesquisas até então sem importância mostravam que é muito mais barato manter um cliente que conquistar um novo. Outros estudos concordam que um cliente insatisfeito fala de sua insatisfação para um número muito maior de pessoas que um cliente satisfeito. Termos como “encantamento do cliente” ou “fidelização” viraram moda e o marketing de relacionamento ganhou lugar de destaque.
Passou a ser comum receber em casa um folheto do supermercado de sua preferência informando da promoção de seu vinho favorito ou da fralda descartável de seu bebê. Eles sabem o que compramos, pois um bom sistema de informação e gestão pode garantir um melhor uso dos dados colhidos no caixa. A fábrica do recém comprado automóvel lhe liga um mês depois pra saber se você está satisfeito com o carro novo e a empresa de telefonia lhe oferece um pacote de minutos que melhor se adapta ao seu orçamento. Sem falar nas melhorias em salas de espera com ar condicionado e serviços de copa. Isto é CRM.
Hoje o consumidor pode até não conhecer alguns dos termos deste artigo, mas com certeza sabe diferenciar o atendimento e a relação que estabelece com marcas e empresas ao longo de sua vida, norteando seus hábitos e levando em consideração como é tratado. Está cada vez mais difícil fidelizá-lo e o CRM exerce um papel fundamental em toda e qualquer empresa que o pratique de maneira tácita ou com ações isoladas.

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domingo, 16 de setembro de 2007

Ensino à distância - EAD

Lembro-me de folhear as revistinhas em minha infância e ver cursos por correspondência. Era um instituto chamado IUB (Instituto Universal Brasileiro). Oferecia cursos de eletrônica, mecânica, datilografia, bordado e outros cursos profissionalizantes onde o sistema de ensino era completamente à distância. O instituto ainda existe e acompanhou a evolução tecnológica oferecendo cursos profissionalizantes, mas desta vez pela internet.
Hoje vemos uma disseminação da modalidade à distância, promovida por faculdades e universidades de todo o país. Os correios já não desempenham papel importante na comunicação e disseminação do conhecimento. As aulas são assistidas via satélite, pela internet e CD ROM. Como modalidades atuais de ensino existem a educação presencial, semi-presencial (parte presencial/parte virtual ou à distância) e educação à distância (ou virtual). A presencial é a dos cursos regulares, em qualquer nível, onde professores e alunos se encontram sempre num local físico, chamado sala de aula. É o ensino convencional. A semi-presencial acontece em parte na sala de aula e outra parte a distância, através de tecnologias. A educação a distância pode ter ou não momentos presenciais, mas acontece fundamentalmente com professores e alunos separados fisicamente no espaço e ou no tempo, mas podendo estar juntos através de tecnologias de comunicação.
Quando falávamos de algum profissional que tinha sua competência questionada, costumávamos dizer que este havia feito o curso por correspondência, selando como duvidosa a qualidade do serviço que utilizava apenas o correio e telefone como canal de contato, mas pesquisas recentes mostram que o mercado vem absorvendo os profissionais formados pelo processo atual como dignos de desempenhar a atividade de sua formação. Muitas instituições têm mostrado bons resultados com profissionais capacitados e pesquisa recente realizada com executivos brasileiros e divulgada pela Istoé Dinheiro mostra que 74% dos consultados contratariam um profissional que fosse formado pelo ensino à distância. Talvez porque muitos destes executivos já tenham, eles mesmos, obtido os benefícios da aula virtual em um dos inúmeros cursos de pós-graduação espalhados pelo país.
O fato é que é inevitável a adaptação da educação aos recursos atuais. Como processo de transmissão de saberes, criará nos próximos anos modalidades provenientes de novas tecnologias que não foram sequer imaginadas ainda, mas é certo que sua essência será preservada; Teremos sempre a transmissão de conhecimento entre indivíduos, com um falando (ou teclando, mostrando...) e outro(s) percebendo, mudando apenas a maneira que a mensagem e o conhecimento são passados adiante.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Deve-se ouvir o cliente?

Em viagem ao Rio esta semana, eu li em revista da empresa aérea pela qual viajava uma notícia que me deixou intrigado, para não dizer perplexo; Apenas 22% dos profissionais de marketing nos Estados Unidos levam em consideração a opinião de consumidores em relação a um produto ou serviço para promover mudanças, fundamentar campanhas ou projetar novos produtos. Por mais que a matéria não desse mais detalhes sobre a pesquisa, tentei entender tal estatística e como profissional da área que valoriza o marketing de relacionamento e fidelização do cliente cheguei a algumas conclusões;
1- Mesmo que estes profissionais não ouçam seu cliente através de SAC, ou pesquisas, estes profissionais se colocam no lugar dos clientes e tentam pensar como os mesmos antes da tomada de decisões. Isto nada mais é que ouvir o cliente (embora dê margem à parcialidade).
2- A presunção de que quem é responsável pelo desenvolvimento, embalagem ou campanha de um produto saberá mais a respeito do que deve ser melhorado que um consumidor habitual é no mínimo “síndrome de Deus”, para não dizer burrice.
3- Por melhor que seja um produto ou serviço, este ainda pode ser melhorado, e no mundo de hoje, se você se acomoda é engolido pela concorrência sem o menor aviso. Portanto, não devemos desprezar observações nem de um engenheiro de produção ou do responsável pela limpeza da recepção. Isto é gestão participativa.
Por mais que as organizações se profissionalizem e os profissionais se qualifiquem, a máxima de que o cliente tem razão pode ser discutida, questionada e até refutada, mas o simples fato de um produto ou serviço ter sua existência dependente de um mercado para demandá-la e esta demanda se dar na figura de um agente que é o cliente, isto já lhe atribui fundamental importância e direito, senão obrigação de ser ouvido. Num mundo onde a concorrência é cada vez mais acirrada e o marketing se mostra em constante evolução e por que não dizer ebulição, me espanta ver que ainda existam profissionais desta área que não levam a sério a opinião daqueles que são a razão da existência de seus empregos e os verdadeiros assinantes de seus contracheques. Só me admira um mercado onde os profissionais do marketing pensam desta forma oferecer serviços e produtos de tão boa qualidade. Será que eles já fazem isto naturalmente? Será que são bons no que fazem e buscam a perfeição por razões diferentes como auto realização ou mero reconhecimento e o fato de agradar ao cliente seria apenas uma agradável consequência?

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

A dependência de um país independente.

Me considero um patriota além copa, que se importa com o país ao ponto de me engajar social e politicamente e o simples fato de promover discussões já é uma das maneiras de fazê-lo.
Neste 07 de Setembro nosso país assiste à paradas que celebram a nossa independência. Marca a data em que esta foi declarada às margens do Ipiranga, quando nosso país ainda permanecia como colônia de Portugal. O grito de “Independência ou morte!” fora dado por D. Pedro I, então imperador do Brasil (após uma forte dor de barriga e visita à moita mais próxima, segundo historiadores).
Ao pensar no que isto representa em nossa história, não pude deixar de lembrar que:
1- Dependemos de investimentos externos.
2- Dependemos de petróleo importado.
3- Dependemos de boa vontade do FMI para rolamentos de dívidas.
4- Nosso povo depende de bolsa escola, vale gás, fome zero, bolsa família e muitos outros programas assistencialistas.
5- Dependemos de um sistema de saúde falido.
6- Dependemos de uma previdência que está fadada ao colapso.
7- Dependemos de uma segurança pública ineficiente.
8- Dependemos de leis fiscais, penais, civis e trabalhistas atrasadas.
9- Dependemos de um legislativo e executivo (grande parte deste) corruptos.
10- Dependemos de um sistema financeiro leonino, com os juros mais altos do mundo.
Ou seja, esta independência, se é que aconteceu, nada mais foi que um erro histórico. Faz-me perguntar se não teria sido melhor que a Holanda tivesse expandido as colônias que havia instalado no Nordeste e enxotado os portugueses. Nada contra os patrícios, mas quem sabe hoje não tivéssemos um índice de analfabetismo muito pequeno e fôssemos capazes de falar três idiomas, ensinados em escola pública!
Do grito às margens do Rio que nos forneceu duas opções (independência ou morte), a que vemos é a “morte” por desnutrição, falta de assistência social, descaso, violência... Talvez o nosso imperador devesse ter gritado; “Independência ou social, progresso, compromisso, honestidade, avanço, sei lá...” qualquer coisa boa pra variar. Aposto que nenhum brasileiro está satisfeito com a opção oferecida...
Mas ainda assim tenho muito orgulho de meu povo (embora seja péssimo em fazer escolhas e um tanto passivo), nossas terras, paisagens e tantas maravilhas. Como bom brasileiro, não desisto nunca! Pelo menos de ter esperança.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Tecnologia da Informação

O ser humano sempre dependeu de informação para sobreviver. Somos dotados do melhor “processador” que existe, embora subutilizado, e a mãe natureza sabia muito bem o que estava fazendo quando nos deu este presente. Estava por colocar em nossas mãos não apenas o destino de nossas vidas, mas o seu próprio. Embora os avisos constantes como furacões e derretimento glacial chamem a atenção da mídia, muito pouco foi feito. Vai chegar o dia em que nossa extinção será inevitável e ela, a natureza, terá tempo de se recuperar, dando a outros seres o privilégio de gerir seu patrimônio, o que temos feito sem a menor probidade até agora.
No tempo das cavernas, o simples conhecimento do fogo ou de um bom local para caça ou pesca podia significar a diferença entre a vida e a morte. As civilizações foram surgindo e a superioridade numérica foi cedendo espaço para o conhecimento militar e bélico. Batalhas foram vencidas e povos conquistados por mensagens entregues a cavalo ou cidades fortificadas a tempo por possuírem excelentes batedores. Na idade moderna as potências passaram a ser valorizadas por seu PIB e não mais pela quantidade de ogivas atômicas. Ainda hoje o conhecimento e a informação valem ouro e são determinantes para passos futuros de um indivíduo, uma empresa ou uma nação.
A busca de informação é facilitada pelo dinamismo do mundo. Temos de nos adaptar e aprender a usar as informações a tempo. Estas estão instantâneas, porém breves. O que é hoje já não será amanhã e aprendemos no dia-a-dia que incertezas são parte do cotidiano.
Enquanto profissional, seja diretor, sócio de uma empresa ou empregado, deve-se estar a par de tudo que acontece no mundo e não mais apenas na sua área de atuação. Se você é dono de um posto de combustíveis, pode não ligar para a redução do limite de velocidade em área urbana, mas com os carros andando mais devagar estes consumirão menos e seu volume de vendas sofrerá uma queda. Se trabalha em uma fábrica de sapatos que exporta bastante, a desvalorização do dólar pode provocar demissões e seu emprego pode sair voando pela janela. Os exemplos são inúmeros. Isto é o que chamamos de globalização. O fato é que agora podemos ligar a TV e ver em tempo real sobre o acidente automobilístico de uma princesa inglesa, com um namorado egípcio, num túnel francês, em um carro alemão, dirigido por um motorista belga, cheio de uísque escocês e perseguidos por paparazis italianos. Quer maior exemplo de globalização? Não há mais fronteiras e sem estas não há mais tempo. Devemos ser capazes não apenas de encontrar as informações, mas filtrá-las e processá-las como nunca fizemos antes. Daí a importância crescente de setores de TI (tecnologia da informação) em empresas e organizações. Trate de incorporar este pensamento a sua rotina e saiba que existe um mundo novo lá fora, onde avanço tecnológico passou de eletivo à obrigatório, e isto se deu de tal forma que dinossauros serão lembrados em livros, mas sem espaço para seus fósseis, profissionalmente falando é claro. Evite problemas por falta de informações completas (veja video abaixo) , evolua para não acabar extinto, pelo menos antes do tempo.

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segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Recall

O termo surgiu na década de 80 e significa “chamar de volta”. Executivos da indústria automobilística fizeram as contas e viram que era mais vantajoso assumir um erro de fabricação ou projeto que arcar com despesas oriundas de processos e indenizações. Mas a moda pegou mesmo na década de 90, quando a indústria percebeu os efeitos benéficos na confiança do consumidor e na fidelização à marca. A prática se tornou cada vez mais comum num mundo em que a dinamização e a concorrência aberta tornaram o tempo gasto com projetos cada vez menores. Criou-se o pensamento “se der problema depois a gente chama de volta...”. Só não é possível reparar as vidas perdidas como no caso do Fokker 100 da Tam em 1996 e seu perverso reverso. Evitarei falar deste novo acidente em Congonhas, pois até agora não há consenso.
O código de defesa do consumidor, embora não utilize o termo, prevê a responsabilidade do fabricante para que seja realizado o “recall” e conserto ou substituição do produto assim que detectado o defeito. Este passou a ser praticado nos mais diversos setores; notebooks e suas baterias explosivas, automóveis e seus pneus bomba ou cintos sem segurança, eletroeletrônicos que são armas de choque e no caso mais recente e de dimensões globais; brinquedos.
A Mattel é a maior fabricante de brinquedos do mundo. Fabrica a boneca Barbie, um fenômeno mundial cinquentão, a bonecas Polly pocket e o Batman. Depois de um duro golpe com um mega recall em função de tinta tóxica em seus brinquedos que chegou a causar o suicídio de um revendedor e prejuízos de mais de 30 milhões de dólares, chega a vez de brinquedos com ímãs, utilizados para unir pequenas peças. Estamos falando de quase 22 milhões de produtos “chamados de volta”, o que representará custos de R$ 51 milhões apenas no Brasil. Todo o setor fica apavorado as vésperas do dia das crianças, pondo em cheque um gigante do segmento, o que nos traz a dúvida do estrago que o fato causará a empresa.
Numa época em que a responsabilidade social é uma premissa aos olhos do consumidor, a Mattel tratou de assumir a falha e colocar-se a disposição do consumidor por site, linhas telefônicas exclusivas para o recall e e-mail, tudo para garantir o menor estrago possível à imagem da empresa. Embora tenha uma receita bilionária e os números impressionem economicamente a empresa não deve ser tão abalada em seu balanço anual, mas a quebra de confiança num setor que lida com preciosidades como crianças pode ser fatal. Podemos estar falando de um verdadeiro meteoro que ao cair atinge apenas uma área, mas os anos de poeira suspensa que se seguem terminam por extinguir dinossauros.
De qualquer forma, o que vier a seguir deverá ser uma verdadeira aula de marketing. O desafio é enorme. É esperar pra ver.

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quinta-feira, 23 de agosto de 2007

As mil e uma noites.

Os ministros do Supremo Tribunal Federal se reúnem hoje (mais uma vez) para ouvir os advogados de defesa de alguns dos 40 acusados de envolvimento no esquema do mensalão, na denúncia do procurador da república Antônio Fernando de Souza. Marcos Valério, José Dirceu, Delúbio Soares, Roberto Jéferson e todo o bando (pelo menos os que apareceram nas investigações) estarão lá para explicar (kkkkk) os R$ 55 milhões de Reais arrecadados e distribuídos pelo grupo que é um exemplo de altruísmo.
Antes tarde do que nunca!
Não bastasse o fato de CPIs e discursos eticomoralistas não terem dado em nada, nos deixando com caras de palhaço, a simples demora para esta ocorrer é no mínimo estranha. Sem contar que boa parte dos ministros do supremo que aí estão foram nomeados neste governo. Não estou afirmando que existe uma teoria da conspiração, mas como “gato escaldado tem medo de água fria” está bem difícil distinguir a legítima boa vontade e profissionalismo da procuradoria da república de uma cortina de fumaça, em meio a tantos escândalos sucessivos.
A polícia federal até que tem feito seu trabalho, com alguns exageros truculentos é verdade, mas já deve estar com seu pessoal desmotivado por tanto esforço para grampear, investigar, prender e... então soltar! Banqueiro que comete crime contra a economia, ex-governador, socialite empresária do alto luxo, filhos da classe alta envolvidos com drogas... Tem de tudo um pouco. Mas o fato é que eles já sabem que não há nada que um bom advogado não resolva. Fica difícil acreditar na máxima de que o crime não compensa. Talvez se modificássemos um pouco a frase para... “O crime só compensa no Brasil!”... Pronto, agora está mais adequado.
Eu não conhecia Brasília até março de 2006 e devo confessar que ao passear pelos corredores do congresso ou pela arquibancada do senado federal fui tomado por um sentimento de megalomania (acho que este troço pega). Adoraria entrar para aquela vida, respirar poder e riqueza e ao mesmo tempo servir ao meu país, mas quando pensava no alto preço de me candidatar a qualquer coisa vinha o balde de água fria. Não estou falando de gastos de campanha, mas da reputação que construí com trabalho ao longo de anos e que desce pelo ralo instantaneamente quando se é candidato a um cargo público, em virtude da generalização da opinião popular de que todo político é ladrão. E quem pode ser culpado por pensar assim? É claro que existem pessoas no meio que honram as calças (ou saias) que vestem, mas estas são uma minoria sem expressão.
De qualquer forma, eu gostaria de voltar a Brasília antes da certa absolvição dos 40 ladrões ou do não acolhimento da denúncia por parte do supremo. Repetiria minha caminhada à praça dos três poderes e em frente a um garboso palácio com um laguinho artificial em frente e uma rampa enorme, concluiria minha visita. Disseram-me que não era permitida a entrada, mas acho que agora que sei as palavras mágicas não teria a mínima dificuldade para acalmar os dragões à porta; afinal, cresci ouvindo a estória que inspirou esse bando. Caso você leitor tenha a chance, não deixe de fazer isso e ali babar (desculpem, não resiti ao trocadilho); Ao pé da rampa diga bem alto; “Abre-te Sésamo!”

terça-feira, 21 de agosto de 2007

A importância do briefing para uma campanha.

O briefing é o documento resultante do contato do atendimento de uma agência com o cliente. Ele será repassado a outros departamentos da agência como planejamento e criação para que a campanha ou “case” seja elaborado. Deve conter o maior número de informações possíveis, como dados da empresa, objetivos, campanhas anteriores, etc... Mas a responsabilidade de captar o que o cliente quer e unir isso ao que é mercadologicamente interessante é por demais complicado.
Um assunto delicado que deve constar no briefing é a questão da verba que o cliente dispõe para gastar com a campanha ou trabalho. Certa vez, ouvi de um cliente ao perguntar até quanto ele poderia gastar na campanha; “Toda agência com a qual já trabalhei me faz esta pergunta”... Pude notar um ar de ironia preocupada que nos faz sentir mercenários. Sei que muitos profissionais da área passam por isso. É interessante deixar claro antes desta inevitável pergunta que diversas campanhas poderiam ser idealizadas, mas que para sabermos o que podemos planejar devemos saber de quais valores dispomos, pois podemos fazer uma campanha com um orçamento mínimo, que seria totalmente diferente de uma campanha com altos recursos. Quando deixamos claro que valores são fundamentais no planejamento, assim como para se fazer a planta de uma casa deve-se saber quanto se tem para gastar, isto torna mais fácil sua aceitação da análise de investimentos.
Não bastasse o fato de lidarmos com algo absolutamente subjetivo, como a opinião e vontade do cliente, este por diversas vezes apresenta objetivos impossíveis, ou uma completa falta de noção do mercado, cabendo ao atendimento ainda neste momento trazer o cliente de volta à realidade.
O briefing, por mais completo que seja, deve ser tratado como um processo. Se necessário ele deve ser produto de mais de um encontro ou reunião para que não se torne resultado de uma primeira impressão. Ele norteará toda a campanha e deve ser repassado e apresentado pelo atendimento, o porta-voz do cliente na equipe, em conjunto com os demais setores da agência para evitar falta de compreensão por colaboradores que apenas leram o relatório resultante.
Sua importância é tal que ele além de ajudar no desenvolvimento dos trabalhos, facilita a sua apresentação ao cliente após o processo criativo. Nesta apresentação, que causa frio na barriga em 12 entre 10 responsáveis pelo atendimento, deve-se estar preparado para aplausos ou a completa desaprovação. Por isso o briefing deve ser tão bem fundamentado; Porque caso a equipe chegue à conclusões contrárias às vontades do cliente, será muito mais fácil justificar as sugestões, bem como associar os desejos do anunciante aos resultados esperados, o que no fim das contas deve ser de longe o maior objetivo da agência;

Que seja feita a vossa vontade...